Organização criminosa movimentava grandes valores com exportações para a China

Goianésia- A Polícia Federal deflagrou esta semana uma operação para desarticular um esquema criminoso de extração e comercialização ilegal de manganês, um dos metais mais utilizados no mundo. De acordo com as investigações, o minério tinha como principal destino o mercado chinês, maior consumidor global do produto.

A ação resultou na prisão preventiva de um investigado e no cumprimento de sete mandados de busca e apreensão em Goiânia, Belém, Parauapebas e Belo Horizonte. Durante as diligências, foram apreendidos um helicóptero, joias, veículos e equipamentos eletrônicos de alto valor. A Justiça Federal determinou ainda o bloqueio de R$ 24 milhões em bens e ativos financeiros.

Segundo a PF, a organização atuava em larga escala, movimentando cifras elevadas com a venda clandestina de manganês ao mercado asiático. Os valores identificados seriam provenientes de exportações realizadas com uso de documentação fiscal irregular, empregada para dar aparência de legalidade ao minério.

Extração clandestina e fraude fiscal

As apurações indicam que o grupo extraía manganês de forma ilegal e utilizava notas fiscais “esquentadas” para viabilizar a exportação. O esquema envolvia uma atuação coordenada entre mineradoras, intermediários logísticos e operadores financeiros, responsáveis por ocultar a origem ilícita do produto e dificultar a fiscalização.

As áreas de garimpo estavam localizadas na região de Vila União, a cerca de 140 quilômetros de Marabá, no sudeste do Pará. Conforme a Polícia Federal, a atividade ocorria sem título minerário válido e sem autorização dos órgãos competentes, caracterizando crimes contra a União, além de infrações tributárias e ambientais.

Os investigadores identificaram ainda uma estrutura montada especificamente para mascarar a procedência do minério, com o objetivo de burlar controles oficiais e ampliar o lucro obtido com a exportação ilegal.

Desdobramento de operações anteriores

A ofensiva desta semana é desdobramento de investigações iniciadas em 2024, no âmbito das Operações Dolos I e II. Em junho do ano passado, a PF cumpriu mandados no porto de Itaqui, no Maranhão, onde apreendeu cerca de 23 mil toneladas de manganês ilegal, avaliadas em quase R$ 30 milhões.

Na ocasião, a carga estava prestes a ser embarcada para a China em um navio mercante. As irregularidades incluíam sonegação de impostos e o uso de notas fiscais emitidas em nome de outra mineradora. A empresa envolvida teve a licença suspensa em maio de 2024 após a constatação das práticas ilícitas.

As investigações também apontaram irregularidades cometidas por uma mineradora sediada em Marabá, suspeita de extrair manganês de forma clandestina e exportar o mineral para países asiáticos.

Importância estratégica do manganês

De acordo com a Agência Nacional de Mineração (ANM), o manganês é o quarto metal mais utilizado no mundo, atrás apenas do ferro, alumínio e cobre. O minério é essencial na produção de aço, amplamente empregado pela indústria automobilística e pela construção civil.

A agência ressalta que a demanda global pelo manganês segue em crescimento, impulsionada principalmente pela indústria siderúrgica chinesa, responsável por cerca de 40% da produção mundial de aço.