Estado registra cinco assassinatos e ocupa a quinta posição no ranking nacional

Goianésia- Goiás está entre as unidades da federação com maior número de assassinatos de pessoas trans no Brasil em 2025. Dados do Dossiê Assassinatos e Violências Contra Travestis e Transexuais Brasileiras, divulgado nesta segunda-feira (26) pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), apontam que cinco mortes foram registradas no estado ao longo do ano, colocando Goiás na quinta posição do ranking nacional.

O levantamento indica que Ceará e Minas Gerais lideram a lista, com oito assassinatos cada. Na sequência aparecem Bahia e Pernambuco, com sete casos. Logo abaixo de Goiás estão Paraíba, Rio Grande do Norte, Paraná e São Paulo, que contabilizaram quatro mortes cada.

O cenário estadual reflete uma realidade persistente em âmbito nacional. Pelo 18º ano consecutivo, o Brasil ocupa a primeira colocação no ranking mundial de assassinatos motivados por transfobia. Somente em 2025, foram registrados 80 homicídios de pessoas trans em todo o território nacional.

Casos de extrema violência em Goiás

Em Goiás, a posição no ranking representa o pior desempenho do estado desde 2017. Crimes registrados ao longo do último ano chamaram atenção pela brutalidade.

Em outubro, uma mulher trans de 19 anos foi encontrada morta em uma área de mata após desaparecer ao sair de uma lanchonete. Um jovem de 18 anos foi identificado como principal suspeito. O corpo apresentava um corte profundo no abdômen, e a motivação teria sido um desentendimento entre os dois.

No mesmo mês, outra mulher trans, de 43 anos, foi localizada sem vida em Rio Verde, no sul do estado. O corpo, encontrado em um lote baldio no Residencial Monte Sinai, estava carbonizado e apresentava sinais de enforcamento e agressões. Conforme relatos à polícia, a vítima teria sido perseguida por um grupo de três ou quatro pessoas, espancada, colocada no porta-malas de um veículo e levada até o local do crime.

Outro homicídio ocorreu em Aparecida de Goiânia, na região dos motéis. Em agosto do ano passado, uma jovem trans de 23 anos foi morta com um tiro nas costas após um desentendimento relacionado ao furto de um telefone celular.

Também teve ampla repercussão o caso da travesti Samylla Morais, de 22 anos, encontrada morta com marcas de execução em julho do ano passado. O corpo foi localizado em uma estrada vicinal da BR-060, nas proximidades da Universidade Estadual de Goiás (UEG), em Anápolis. Samylla trabalhava como garota de programa na região da Calixtolândia e havia se envolvido em discussões nas redes sociais após denunciar clientes que não pagavam pelos serviços.

Queda nos números não indica mais segurança

Apesar da redução no número total de assassinatos de pessoas trans no Brasil, de 122 em 2024 para 80 em 2025, a Antra alerta que os dados não representam, necessariamente, um ambiente mais seguro. No mesmo período, as tentativas de homicídio aumentaram de 57 para 75 casos.

De acordo com o dossiê, a maioria das vítimas são travestis e mulheres trans, com idades entre 18 e 35 anos. O Nordeste permanece como a região mais violenta do país, e os crimes ocorrem, majoritariamente, em espaços públicos, áreas periféricas e vias urbanas.

A Antra chama atenção para fatores que contribuem para a permanência desse cenário, como a subnotificação dos casos, a desconfiança nas instituições e a ausência de políticas públicas específicas para o enfrentamento da transfobia. Esses pontos devem ser discutidos nesta segunda-feira com técnicos do Ministério dos Direitos Humanos.

O dossiê será entregue oficialmente ao governo federal durante cerimônia no Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, em Brasília.

Sobre a Antra

A Associação Nacional de Travestis e Transexuais é a principal rede de articulação política e defesa dos direitos humanos da população trans no Brasil. A entidade atua no monitoramento da violência, no combate à discriminação e na promoção da cidadania de travestis, mulheres trans e homens trans, além de colaborar com órgãos públicos na formulação de políticas e diretrizes voltadas à garantia de direitos fundamentais.