Goianésia- Goianésia passou a sediar a unidade do Agrocolégio de Goiás, transferida da capital e instalada no antigo prédio do Credeq. A escola atende estudantes do ensino médio com formação integrada, voltada à realidade do campo, combinando conteúdos teóricos, atividades práticas e qualificação técnica em agropecuária. A proposta prioriza jovens da agricultura familiar e da zona rural, preparando-os tanto para a inserção profissional quanto para a continuidade das atividades produtivas em suas comunidades.
Em entrevista exclusiva à RVC FM, o diretor do Agrocolégio, Marcos Cezar, explicou como ingressou no projeto e os primeiros desafios à frente da unidade. “Cheguei ao Agrocolégio por meio de um processo seletivo, em 2024, quando a professora Fátima conduzia a mentoria do projeto. Sou de Lagolândia, distrito de Pirenópolis, fiz minha formação no interior, depois me graduei e pós-graduei. Atuei como gestor escolar e, quando surgiu o processo seletivo, minha filha viu o projeto e disse que tinha tudo a ver comigo. Isso me motivou a me inscrever, e fui selecionado entre sete candidatos", detalhou.
Marcos apresentou o modelo pedagógico adotado pela instituição, baseado na pedagogia da alternância. “O funcionamento ocorre com duas turmas. Enquanto uma permanece no Agrocolégio, a outra acompanha as atividades diretamente de suas propriedades, com aulas transmitidas em tempo real pela plataforma digital. Após 30 dias, há o revezamento. No ano passado, atendemos estudantes de 37 municípios goianos e de outros estados, sem que precisassem se afastar da rotina no campo",explicou.
Sobre a estrutura oferecida, o diretor explicou que o regime segue o calendário da Rede Estadual de Ensino. “Durante o período presencial, o aluno permanece em internato e recebe seis refeições diárias, inclusive aos fins de semana e feriados. Paralelamente ao ensino médio, ele conclui o curso técnico em agropecuária, saindo qualificado tanto para o mercado quanto para a continuidade dos estudos.”
Segundo Marcos, a transferência da unidade para Goianésia permitiu ampliar o número de vagas e reforçar o cuidado com os estudantes. “O projeto foi planejado inicialmente para 60 alunos por ano. No primeiro processo seletivo, houve 90 inscritos e, em 2026, chegamos a 181 candidatos. O prédio do antigo Credeq passa por adequações para a rotina escolar, com alas separadas para meninos e meninas, acompanhamento integral e equipe preparada para atender os alunos ao longo do dia e da noite. O ano letivo já está em andamento, com aulas teóricas e práticas, inclusive em ambiente digital.”
A coordenadora regional de Educação de Goianésia, Larissa Campos, explicou que a implantação do Agrocolégio no município foi resultado de articulações institucionais e do aproveitamento de estruturas públicas disponíveis. “A instalação da unidade envolveu diálogo entre a Secretaria de Estado da Educação, a Emater, o Poder Executivo municipal e a Câmara de Vereadores. Trata-se de um processo construído ao longo do tempo, considerando o perfil educacional e produtivo da região.”
Larissa ressaltou que a destinação do prédio do antigo Credeq atende a uma demanda de interesse público. “É uma estrutura ampla, que precisava receber uma função social. Goianésia possui vocação agropecuária, e o Agrocolégio permite integrar educação, qualificação profissional e desenvolvimento regional, fortalecendo a formação dos jovens e valorizando o campo.”




