Ao analisar o recurso, os desembargadores entenderam que a tese apresentada pela acusação não pode ser descartada nesta fase processual

Goianésia - Cinco policiais militares acusados de envolvimento em três homicídios ocorridos em Anápolis irão a júri popular após decisão unânime da 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Goiás. O colegiado acolheu recurso do Ministério Público e reformou a sentença de primeira instância que havia absolvido os réus, entendendo que cabe ao Tribunal do Júri analisar se as mortes ocorreram em situação de legítima defesa ou se configuram execução.

Com a decisão, o processo retorna para a comarca de Anápolis, onde a Justiça deverá definir a data do julgamento. Os réus são Glauco Olívio de Oliveira, Englison de Azevedo Lopes, Adriano Azevedo de Souza, Rodrigo Moraes Leal e Thiago Marcelino Machado. Eles respondem pelas mortes de Gabriel Santos Vidal, Gustavo Lage Santana e Mikael Garcia de Faria, registradas em agosto de 2021, cerca de dois meses antes do assassinato do empresário Fábio Alves Escobar Cavalcante.

Em novembro do ano passado, a Justiça de Anápolis havia absolvido sumariamente os policiais, ao concluir que as mortes ocorreram durante uma abordagem policial e que os militares teriam agido em legítima defesa. O Ministério Público recorreu da decisão, sustentando que existiam indícios suficientes para que o caso fosse submetido à apreciação de jurados.

Ao analisar o recurso, os desembargadores entenderam que a tese apresentada pela acusação não pode ser descartada nesta fase processual. Segundo o colegiado, a análise do mérito, incluindo a verificação das circunstâncias das mortes, é de competência do Tribunal do Júri, responsável por julgar crimes dolosos contra a vida.

Relação com o caso Fábio Escobar

De acordo com as investigações, as três vítimas mortas em agosto de 2021 teriam ligação indireta com o assassinato do empresário Fábio Escobar. Gabriel, Gustavo e Mikael eram amigos de Bruna Vitória Rabelo Tavares, jovem assassinada um dia antes. Conforme apuração do Ministério Público, o celular utilizado para atrair o empresário até o local onde ocorreu o crime pertencia a Bruna.

A acusação sustenta que os policiais monitoravam o grupo e que os homicídios teriam ocorrido com o objetivo de atribuir às vítimas a responsabilidade pelo assassinato do empresário. Ainda segundo o MP, Glauco Olívio de Oliveira teria ligação direta entre os casos, por ter ficado com o telefone da jovem.

Morte de testemunha

O processo teve novos desdobramentos com a morte de Lucas Costa Lopes Moreira, de 31 anos, apontado como testemunha de defesa dos policiais. Ele morreu em agosto, durante uma abordagem policial na zona rural de Niquelândia, às margens da BR-414. Lucas seria ouvido pela Justiça em novembro, mas o juízo foi informado do óbito ao tentar realizar a intimação.

 

O relatório oficial da ocorrência aponta que houve troca de tiros com a polícia. A versão, no entanto, é contestada por familiares, que afirmam que Lucas seguia para visitar parentes. Ele era apontado nas investigações como o dono do telefone utilizado para atrair Fábio Escobar no dia do crime.

 

Defesas

 

As defesas dos policiais informaram que irão recorrer da decisão do Tribunal de Justiça. Os advogados afirmam que as provas indicam confronto armado e reiteram a tese de legítima defesa. Parte da defesa já anunciou a intenção de levar o caso ao Superior Tribunal de Justiça.