Investigação aponta áudio gravado pela vítima como principal prova

Goianésia-O vereador de Urutaí, Éder Alberto Jorge Pimenta, que estava sem filiação partidária, foi indiciado pelo crime de estupro contra uma estagiária da Câmara Municipal do município. Segundo a Polícia Civil, a principal prova reunida no inquérito é um áudio gravado pela própria vítima durante o crime, ocorrido em um motel de Pires do Rio, no sudeste de Goiás.

De acordo com o delegado Elton Diogo Fonseca, as investigações indicam que o vereador atraiu a jovem sob o pretexto de realizar um trabalho fotográfico. Em seguida, ele a levou ao motel, onde teria cometido o abuso. “Mesmo diante das negativas da vítima, praticou atos que caracterizam crime de estupro”, afirmou o delegado.

A defesa de Éder Pimenta informou que o indiciamento não representa condenação nem reconhecimento de culpa. Segundo o advogado, o caso será analisado para a adoção das medidas jurídicas consideradas cabíveis.

Perda do cargo

Após o indiciamento, Éder Pimenta foi destituído do cargo de presidente da Câmara Municipal de Urutaí. A decisão foi tomada por unanimidade pela Mesa Diretora e anunciada pelo novo presidente da Casa, Lindomar Veloso, filiado ao Podemos.

A comissão responsável pelo processo analisou a conduta do parlamentar e concluiu que ela é “manifestamente incompatível com a dignidade do cargo, com grave quebra de decoro parlamentar e violação aos princípios da moralidade e da probidade administrativa”, conforme nota oficial da Câmara.

Em 12 de dezembro, o Legislativo municipal já havia aprovado o afastamento cautelar do vereador e a abertura de uma Comissão Processante, encarregada das apurações administrativas que culminaram na perda do cargo, oficializada em 15 de janeiro.

Denúncia da vítima

A estagiária, de 25 anos, atuava na área de marketing da Câmara Municipal. Ela relatou que acreditava que a viagem a Pires do Rio seria para a realização de um trabalho fotográfico. Ao chegar ao motel, afirmou que foi conduzida ao quarto sob o pretexto de uma conversa, momento em que teriam começado os atos de abuso sexual.

A jovem conseguiu gravar parte do ocorrido e encaminhou o material à Polícia Civil. “Eu ficava falando para ele que eu não queria isso, que eu estava ali apenas para fazer o trabalho de marketing, porque é algo que eu gosto e sempre exerci”, relatou.