Goianésia- O desaparecimento de pessoas segue como um dos principais desafios da segurança pública no Brasil. Dados consolidados da Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas mostram que o país encerrou 2025 com 84.760 ocorrências oficialmente registradas, número que representa uma média de 232 casos por dia. Em relação a 2024, houve aumento de quase 5%.
Goiás aparece na oitava posição no ranking nacional, com 3.631 pessoas desaparecidas ao longo do ano. O estado fica atrás de São Paulo (20.546), Minas Gerais (9.139), Rio Grande do Sul (7.611), Paraná (6.455), Rio de Janeiro (6.331), Santa Catarina (4.317) e Bahia (3.929).
Do total de registros no país, a maioria envolve homens: 54.102 casos. As mulheres somam 30.050 ocorrências, enquanto em 608 situações o sexo não foi informado. Os dados também indicam que os adultos representam a maior parte dos desaparecimentos, com 59.150 registros entre pessoas com mais de 18 anos. Crianças e adolescentes, de 0 a 17 anos, somam 23.919 casos; em 1.691 ocorrências, a idade não foi identificada.
Casos recentes chamam atenção em Goiás
Em meio às estatísticas, alguns desaparecimentos recentes em Goiás têm mobilizado as forças de segurança e gerado repercussão pública pela complexidade das investigações.
Um deles é o da corretora de imóveis Daiane Alves Sousa, de 43 anos, desaparecida desde 17 de janeiro, em Caldas Novas. Segundo a Polícia Civil, ela saiu do próprio apartamento para verificar um problema de falta de energia no subsolo do condomínio onde morava e não foi mais vista.
Imagens de câmeras de segurança mostram Daiane entrando no elevador por volta das 19h, enquanto gravava um vídeo no celular relatando a situação. Ela desceu até a portaria, conversou brevemente com um funcionário e retornou sozinha ao elevador, com destino ao subsolo. Desde então, não há registros dela deixando o prédio ou voltando ao apartamento. O segundo vídeo, que teria sido iniciado no subsolo, nunca foi enviado.
O caso é investigado pelo Grupo de Investigação de Homicídios (GIH). De acordo com o delegado André Luiz Barbosa, até o momento não há indícios de crime nem suspeitos formalmente identificados. Cerca de 15 pessoas já foram ouvidas, todas no contexto da apuração. Entre as hipóteses analisadas estão a possibilidade de saída voluntária ou deslocamento para outra região. A polícia trabalha, inclusive, com a possibilidade de que Daiane esteja viva.
Desaparecimento de biomédica segue sem conclusão
Outro caso que segue sem desfecho é o da biomédica Érica Luciana Machado, de 47 anos, desaparecida há mais de 80 dias. A investigação conduzida pela Polícia Civil inclui quebra de sigilos telefônico, bancário e telemático, além de buscas em áreas de mata, com apoio do Corpo de Bombeiros e cães farejadores.
Segundo a delegada Aline Lopes, responsável pelo caso, as diligências iniciais não resultaram em pistas conclusivas. Apesar disso, a investigação segue aberta. “As buscas não foram encerradas e não há prazo para isso”, afirmou.
Érica foi vista pela última vez após sair da casa da mãe, em Alexânia, dizendo que iria comprar ração para os cachorros e verificar um problema no farol do carro. Horas depois, o veículo foi encontrado com pane mecânica, abandonado em Corumbá de Goiás. Antes disso, ela teria pedido ajuda a um mecânico e enviado um áudio em que demonstrava tranquilidade, segundo a polícia.
Familiares relataram que a biomédica já havia manifestado o desejo de se afastar da rotina e “sumir” por um período. Antes do desaparecimento, ela transferiu R$ 10,4 mil para a conta da mãe, o que, para os investigadores, pode indicar algum tipo de planejamento. “Isso leva a crer que ela não queria deixá-la desamparada”, explicou a delegada.
Mesmo diante da hipótese de afastamento voluntário, a Polícia Civil afirma que todas as linhas de investigação continuam sendo consideradas. Os dois casos ilustram a complexidade dos desaparecimentos no estado e reforçam os desafios enfrentados pelas autoridades na elucidação desse tipo de ocorrência.




