Crescimento de 316% em uma década

Goianésia-O Brasil registrou um recorde histórico no número de feminicídios em 2025. De acordo com dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, foram contabilizados 1.470 casos ao longo do ano, superando os 1.464 registros de 2024, que, até então, eram o maior número da série histórica. Em média, quatro mulheres foram mortas por dia no país simplesmente por serem mulheres. O cenário pode ser ainda mais grave, já que os números de São Paulo, o estado com maior incidência, ainda não foram totalmente atualizados.

Em Goiás, o feminicídio também apresenta crescimento. Segundo a base de dados do Ministério da Justiça, foram registradas 54 mortes em 2025, colocando o estado na 9ª posição entre as unidades da federação com aumento de casos. Entretanto, dados da Secretaria de Estado de Segurança Pública de Goiás (SSP-GO), divulgados em coletiva na última segunda-feira (19), indicam 59 casos, representando um aumento de 6% em relação ao ano anterior. Diferentemente de outros tipos de crime, que tiveram queda, o feminicídio é o único indicador criminal que avançou no estado.

“Do total registrado em 2025, apenas sete mulheres tinham medidas protetivas, e 75% dos casos ocorreram dentro de residências, ambientes nos quais a segurança pública tem dificuldade de atuar. É um grande desafio não apenas para Goiás, mas para todo o Brasil”, afirmou o secretário Renato Brum durante a divulgação dos dados.

Mesmo sem os números de dezembro, São Paulo lidera as estatísticas, com 233 casos, seguido por Minas Gerais (139) e Rio de Janeiro (104).

Crescimento de 316% em uma década

A tipificação do feminicídio, quando a mulher é morta por razões de gênero, foi introduzida em 2015. Naquele ano, o país registrou 535 casos. A comparação com 2025 mostra um aumento de 316% em dez anos. Ao longo da última década, 13.448 mulheres foram vítimas desse crime, uma média de 1.345 por ano. São Paulo continua à frente, com 1.774 casos, seguido por Minas Gerais (1.641) e Rio Grande do Sul (1.019).

Mudanças na legislação

Em outubro de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou uma lei que aumenta as penas para o feminicídio e outras formas de violência contra mulheres. Agora, a pena mínima para assassinatos motivados por violência doméstica ou discriminação de gênero é de 20 anos, e a máxima, de 40 anos. Antes, variava de 12 a 30 anos.

A legislação ainda prevê aumento de um terço da pena se a vítima estiver grávida, nos três meses pós-parto, se for menor de 14 anos ou maior de 60 anos, ou se o crime for cometido na presença de filhos ou dos pais da vítima.

Ferramentas de proteção em Goiás

Para tentar reduzir os casos, o governo de Goiás lançou o aplicativo Mulher Mais Segura, disponível gratuitamente para Android e iOS. A plataforma permite que denúncias sejam registradas de forma rápida e prática, além de disponibilizar informações pelo site oficial.

Se quiser, posso revisar para padrão de site, adaptar para off de rádio ou sugerir títulos e sobretítulos alternativos, seguindo seu estilo editorial.