Segundo o ginecologista e obstetra Leonardo Gebrim, apesar de alterar a ovulação, a síndrome não significa infertilidade

Goianésia - A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é uma alteração hormonal comum em mulheres em idade reprodutiva e pode impactar diferentes aspectos da saúde feminina, como o ciclo menstrual, a aparência física e a fertilidade. A condição está relacionada a um desequilíbrio hormonal que interfere no funcionamento regular dos ovários.

Segundo o ginecologista e obstetra Leonardo Gebrim, a SOP é caracterizada por um conjunto de sinais e sintomas que podem surgir de forma isolada ou simultânea, variando de paciente para paciente.

Alterações nos ovários e diagnóstico

Nos exames de imagem, especialmente no ultrassom endovaginal ou abdominal, é comum que os ovários apareçam aumentados e com múltiplos folículos. Esses folículos, popularmente chamados de cistos, são consequência direta do desequilíbrio hormonal.

De acordo com o especialista, “quando realizamos o ultrassom, é possível observar ovários aumentados, com muitos folículos, o que explica a denominação síndrome dos ovários policísticos”. Apesar do nome, ele reforça que a condição vai além da presença de cistos e envolve alterações hormonais mais amplas.

Principais sintomas da SOP 

Um dos sinais mais frequentes da síndrome é a amenorreia, situação em que a menstruação deixa de ocorrer por longos períodos ou passa a ter intervalos irregulares, como ciclos a cada dois ou três meses.

Além disso, a SOP pode provocar ganho de peso, aumento da oleosidade da pele e do cabelo, acne persistente, queda capilar e crescimento excessivo de pelos em regiões como rosto e abdômen, quadro conhecido como hirsutismo. Outro sintoma comum é o escurecimento da pele em áreas como pescoço, axilas e mamilos.

“O sintoma mais conhecido é a irregularidade menstrual, mas a síndrome também se manifesta por alterações na pele, no cabelo e no peso corporal”, explica Gebrim.

SOP não é sinônimo de infertilidade

Apesar de afetar a ovulação, a síndrome não significa infertilidade. A SOP dificulta a ovulação regular, reduzindo as chances de gravidez, mas a liberação do óvulo pode ocorrer de forma imprevisível.

O médico esclarece que a ausência de ovulação regular explica a irregularidade menstrual. No entanto, quando a ovulação acontece, a gravidez pode ocorrer normalmente. “Existe um mito de que quem tem ovário policístico não engravida. Isso não é verdade. A ovulação pode acontecer a qualquer momento, e, se houver relação desprotegida, a mulher pode engravidar, inclusive sem planejamento”, alerta.

Tratamento e controle da síndrome

O tratamento da SOP está diretamente ligado ao estilo de vida. Alimentação equilibrada, controle do peso e prática regular de atividade física são apontados como pilares fundamentais para o equilíbrio hormonal. A redução do percentual de gordura corporal costuma trazer melhora significativa no funcionamento dos ovários.

Em alguns casos, o acompanhamento médico pode incluir o uso de medicamentos, como anticoncepcionais hormonais ou fármacos voltados ao controle da resistência à insulina, dependendo do perfil clínico da paciente.

Atualmente, a síndrome é melhor compreendida do que no passado e conta com abordagens terapêuticas eficazes. “Com o tratamento adequado, os resultados são muito positivos, e a maioria das pacientes consegue controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida”, conclui o especialista.