Goianésia- Policiais civis cumpriram, nesta terça-feira (13/1), mandados de busca e apreensão no apartamento de um engenheiro que atuava como servidor temporário na Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra). Ele é investigado por suspeita de direcionar licitações, favorecendo uma empresa que já foi de sua propriedade e que executou obras que custaram quase R$ 6 milhões aos cofres públicos.
A denúncia que motivou a operação, denominada Nexo Oculto, partiu da própria Goinfra, que instaurou uma sindicância para apurar a conduta do servidor, posteriormente desligado da autarquia. A Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra a Administração Pública (Dercap) assumiu as investigações após ser acionada pela Gerência de Ações Estratégicas da Goinfra.
O foco da apuração é uma licitação de R$ 5,3 milhões destinada à execução de obras em duas pontes e à manutenção de uma estrada vicinal. Segundo o delegado Rodrigo Godinho, embora os serviços tenham sido realizados, foram constatados sobrepreço e fraude no processo licitatório.
“Na residência do servidor, encontramos contratos referentes aos anos de 2024 e 2025 de uma empresa que já havia sido dele e que foi repassada a outro engenheiro para que ele assumisse o cargo na Goinfra. Documentos que não tinham razão de estar com ele. Descobrimos também que, em 2023, quando já estava na autarquia, ele recebeu um repasse significativo dessa mesma empresa em sua conta bancária”, detalhou o delegado.
Durante a operação, foram apreendidos equipamentos eletrônicos, mídias, discos rígidos e uma quantia considerável em dinheiro. O engenheiro responderá, em liberdade, pelos crimes de fraude licitatória e falsificação de documentos. A identidade do investigado não foi divulgada.
Veja a íntegra da nota da Goinfra:
“A Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra) informa que o ex-servidor temporário, atualmente investigado pela Polícia Civil do Estado de Goiás, no âmbito da Operação Nexo Oculto, foi desligado dos quadros da autarquia, que instaurou sindicância administrativa para apurar possível conflito de interesses, direcionamento e atuação como sócio oculto de uma empresa de engenharia.
A sindicância culminou na instauração de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para a devida responsabilização do ex-servidor, processo que está em andamento.
A Goinfra comunicou formalmente os fatos à Polícia Civil, por intermédio da Gerência de Ações Estratégicas da Secretaria de Estado da Infraestrutura (Seinfra), e mantém colaboração com as investigações em curso.
A autarquia reforça seu compromisso com a legalidade, a transparência e a correta aplicação dos recursos públicos, não tolerando qualquer prática de irregularidade, e destaca a atuação da Diretoria de Controle Interno no acompanhamento e fortalecimento dos mecanismos de controle e integridade institucional.”




