Goianésia - O preço da carne bovina deve manter trajetória de alta ao longo de 2026, impulsionado principalmente pela redução da oferta de animais para abate no mercado nacional. Após um período prolongado de abate elevado de fêmeas, entre 2022 e 2024, muitos pecuaristas passaram a reter vacas para reprodução, estratégia que reduz a quantidade de animais disponíveis no curto prazo e pressiona os preços do boi gordo e dos bezerros.
Segundo o economista Luiz Carlos, esse movimento faz parte do ciclo natural da pecuária, mas gera impactos diretos no bolso do consumidor. Ele explica que, em períodos de preços elevados, a atividade se torna mais atrativa, estimulando a produção. “Quando a carne fica mais cara, mais pessoas entram na atividade, aumenta a produção de bezerros e o processo de engorda. Com o tempo, a oferta cresce, ocorre maior abate, inclusive de fêmeas, e os preços tendem a cair para estimular o consumo. O problema é que esse pico de abate já aconteceu. Agora temos menos gado disponível, o que sustenta a tendência de alta”, afirma.
Levantamentos da Companhia Nacional de Abastecimento indicam que a produção brasileira de carne bovina deve registrar queda de 3,5% em 2026. Ao mesmo tempo, a demanda internacional segue aquecida, com destaque para a China, principal destino das exportações brasileiras, favorecida também pelo câmbio. Esse cenário amplia a pressão sobre os preços no mercado interno, especialmente nos cortes mais consumidos, como picanha, alcatra e contrafilé.
Para o consumidor, o reflexo já é sentido nas compras do dia a dia. O trabalhador da construção civil Antenor Souza relata que a carne bovina tem pesado cada vez mais no orçamento familiar. “Os cortes de primeira estão sempre mais caros. A gente tenta aproveitar promoção, mas quase sempre encontra só aumento. O dinheiro é pouco, principalmente para quem trabalha como autônomo, e isso pesa muito no bolso”, comenta.
Além da oferta reduzida e da demanda externa aquecida, outros fatores contribuem para a alta dos preços. O aumento dos custos com alimentação do gado, energia elétrica, mão de obra e transporte acaba sendo repassado ao consumidor final. Especialistas avaliam que esse conjunto de fatores deve manter a carne bovina em patamar elevado de preços ao longo de todo o ano, atingindo diferentes tipos de cortes e reforçando a pressão sobre o custo de vida das famílias.




