Goianésia - O ano de 2025 ficou marcado por um dado alarmante na área da segurança pública: o maior número de feminicídios já registrados em Goianésia e municípios da região. Ao todo, foram quatro casos, sendo três em Goianésia e um em Vila Propício, segundo levantamento apresentado pelo delegado titular da Delegacia de Polícia de Barro Alto, Marco Antônio Maia, durante entrevista aos estúdios da RVC FM.
De acordo com o delegado, os números representam um cenário preocupante e reforçam a gravidade da violência contra a mulher na região. “Foi o ano com o maior índice de feminicídios já registrado em Goianésia e região. É um dado triste, que preocupa muito. Tivemos um caso em Vila Propício e três em Goianésia. É um número muito alto para a nossa realidade”, afirmou.
Segundo Marco Antônio Maia, os crimes ocorreram mesmo após mudanças na legislação, que endureceram as penas para o feminicídio. Desde outubro de 2024, o crime passou a ter tipificação própria no Código Penal, com penas que podem chegar a até 40 anos de prisão. Ainda assim, os casos continuam aumentando. “Mesmo com o endurecimento da lei, os números não diminuíram. Pelo contrário, aumentaram. Isso mostra que o problema vai além da punição. É um fenômeno complexo, que envolve questões emocionais, sociais e culturais”, destacou.
Casos registrados na região
Entre os casos registrados, está o feminicídio ocorrido em Goianésia, em que um empresário matou a companheira a facadas e, em seguida, tirou a própria vida. Outro caso foi o de uma mulher encontrada morta no bairro Eurípedes Barsanulfo. Inicialmente, o suspeito alegou que ela havia caído, mas depois confessou o crime.
Também foi confirmado um caso em que a vítima foi assassinada em Goianésia, mas teve o corpo abandonado na região de Inhumas. O autor confessou o crime e foi preso após ação rápida da Polícia Civil.
Em Vila Propício, o feminicídio ocorreu quando um homem atirou contra a companheira e, em seguida, ingeriu veneno na tentativa de tirar a própria vida. Ele foi socorrido, preso em flagrante e segue respondendo pelo crime.
“O que chama a atenção é que, em praticamente todos os casos, havia sinais prévios de relações abusivas, possessivas e violentas. Muitas vítimas não chegaram a procurar a polícia antes dos crimes acontecerem”, ressaltou o delegado.
Violência doméstica segue em crescimento
De acordo com Marco Antônio Maia, a violência doméstica é um fenômeno que tem crescido em todo o país, mesmo com a redução de outros tipos de crimes. “Enquanto homicídios em geral vêm caindo, os crimes relacionados à violência doméstica e ao feminicídio seguem aumentando. É algo que preocupa e desafia não só a segurança pública, mas toda a sociedade”, explicou.
Ele detalhou que fatores como dependência emocional, econômica e a presença de filhos fazem com que muitas mulheres permaneçam em relações abusivas. “Hoje existe mais informação, mais apoio, mas ainda há muitos casos em que a vítima não consegue romper esse ciclo”, afirmou.
Homicídio em Barro Alto encerra período sem mortes violentas
Além dos casos de feminicídio, a região também registrou um homicídio em Barro Alto, encerrando um período de quase dois anos e meio sem mortes violentas no município. A vítima, um homem de 42 anos, foi baleada após uma discussão e chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos.
Segundo o delegado, o suspeito foi preso em flagrante pouco depois do crime, ainda com a arma utilizada. “Foi uma resposta rápida das forças de segurança. Agora, o inquérito segue para esclarecer todos os detalhes, inclusive a motivação, que pode influenciar diretamente na pena”, explicou.
Caso de desaparecimento mobiliza buscas
Durante a entrevista, o delegado também comentou sobre o desaparecimento de um homem na zona rural de Vila Propício. Ele teria saído do local onde trabalhava, em uma fazenda, e não foi mais visto. As buscas estão sendo realizadas com apoio da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros.
“Ainda estamos apurando as circunstâncias. Ele saiu sem celular, sem veículo, o que causa preocupação. Esperamos encontrá-lo com vida, mas todas as hipóteses estão sendo investigadas”, afirmou.
Alerta à sociedade
Ao final da entrevista, o delegado reforçou o alerta à população sobre violência doméstica e a necessidade de buscar ajuda antes que situações evoluam para tragédias.
“O feminicídio destrói famílias inteiras. Não é apenas a vítima que perde a vida, mas filhos, pais e toda uma rede de pessoas que ficam marcadas para sempre. Precisamos falar sobre isso, denunciar, buscar ajuda e agir antes que seja tarde”, concluiu.




