Documentos retidos, ameaças e monitoramento faziam parte do esquema

Goianésia- A Polícia Federal prendeu, em Goiás, uma mulher apontada como liderança de uma organização criminosa especializada no tráfico internacional de mulheres. Segundo os investigadores, ela seria responsável por manter uma ampla rede de exploração sexual com atuação em vários países da Europa e do Oriente Médio, incluindo Sérvia, Jordânia, Israel, Áustria, Croácia, Emirados Árabes Unidos e Montenegro.

A ação faz parte de uma operação deflagrada nesta quarta-feira (10/12), que cumpriu mandados de busca no Distrito Federal e em Goiás, além de bloqueio de bens e valores e da prisão preventiva da suspeita. Como o nome dela não foi divulgado, não foi possível localizar a defesa para manifestação.

De acordo com a PF, a mulher poderá responder por tráfico internacional de pessoas, redução à condição análoga à de escravo e participação em organização criminosa.

As investigações apontam que a organização agia principalmente por meio de redes sociais e aplicativos de mensagens, oferecendo às vítimas propostas de altos ganhos financeiros e viagens internacionais totalmente custeadas. No entanto, ao chegarem aos países de destino, as mulheres eram submetidas a condições degradantes.

Entre os relatos coletados, constam jornadas exaustivas, retenção de documentos, ameaças, chantagens e monitoramento constante. A PF estima que cerca de 100 mulheres já foram identificadas como vítimas do esquema.

A apuração contou com apoio da Europol, responsável por auxiliar na coleta de provas e na articulação com autoridades de outros países para responsabilizar os envolvidos.

A investigação segue em andamento para identificar outros integrantes da rede e novas vítimas.