Relatos mostram como ansiedade e mudanças na rotina afetam sobreviventes

 Goianésia - Acidentes de trânsito não deixam apenas ferimentos físicos. Muitas vítimas desenvolvem ansiedade, insônia, medo de dirigir e dificuldades para retomar a rotina. A psicóloga Laura Betancourt explica que o trauma altera sono, humor e socialização, e pode impedir a pessoa de dirigir, viajar ou trabalhar. Segundo ela, “ele altera padrões de sono, de humor, de socialização e pode mudar completamente o modo da pessoa funcionar no mundo.”

Quando há amputações, o impacto emocional costuma ser ainda maior. Betancourt destaca que as sequelas podem ser permanentes, incluindo transtorno de estresse pós trauma. Ela afirma que essas consequências afetam vítimas e familiares e muitas vezes não recebem suporte adequado, e que o transtorno ainda é pouco reconhecido por profissionais.

Em municípios como Goianésia, onde os acidentes seguem frequentes, o morador Jesus de Souza é um dos atingidos. Ele perdeu uma perna após ser atingido por um motorista embriagado e relata: “Eu fiquei internado quarenta e dois dias, perdi a perna e minha vida mudou completamente. Eu era um cara que andava, trabalhava e participava da festa da minha família, agora não.”

Jesus conta que a adaptação tem sido difícil e emocionalmente desgastante. Ele afirma: “A gente toca a vida e agradece a Deus por estar vivo, mas muda toda a mente. Os dias ficam longos, a gente fica dentro de casa e até estressa às vezes.”

Profissionais reforçam que acompanhamento psicológico é essencial para a recuperação emocional. Terapias específicas e apoio familiar ajudam a ressignificar o trauma e reconstruir a autoestima, especialmente nos primeiros meses, considerados o período mais sensível da reabilitação.