O tratamento dos distúrbios alimentares exige acompanhamento contínuo, envolvendo reeducação alimentar e suporte psicológico

Goianésia - Os distúrbios alimentares têm crescido de forma preocupante no Brasil e já atingem pessoas de perfis e idades diversas. Especialistas apontam que quadros como compulsão alimentar, anorexia e bulimia aparecem com mais frequência nos consultórios, muitas vezes mascarados por hábitos que a própria sociedade considera comuns. A busca por padrões estéticos inalcançáveis, a sobrecarga emocional e o uso da comida como escape imediato têm impulsionado o avanço desse cenário.

Profissionais de saúde mental destacam que a ansiedade está entre os principais gatilhos da compulsão alimentar. A psicóloga Pâmela Passos, especialista em terapia cognitiva e comportamental, afirma que a comida se torna uma forma rápida de aliviar tensões, resultando em episódios de ingestão descontrolada que funcionam como resposta emocional e não física. Ela observa que esse comportamento pode ocorrer mesmo entre pessoas que não apresentam sobrepeso, o que dificulta o diagnóstico precoce.

Segundo a psicóloga, quando a ansiedade é intensa e o indivíduo não dispõe de estratégias internas para lidar com ela, o alimento surge como um mecanismo de alívio imediato. Isso favorece episódios de perda de controle, consumo excessivo de alimentos e sensação momentânea de bem-estar. Para Pâmela, a compulsão pode surgir em qualquer pessoa, especialmente em momentos de crise emocional.

Nutricionistas e psicólogos reforçam que o alimento vai além da função de sustento e carrega forte componente emocional. Muitos pacientes relatam recorrer a doces, carboidratos e ultraprocessados como forma de lidar com tristeza, frustração ou esgotamento mental. De acordo com Pâmela Passos, quando esse padrão se repete, o risco de desenvolver obesidade, compulsão alimentar periódica e transtornos de imagem aumenta de forma significativa.

O tratamento dos distúrbios alimentares exige acompanhamento contínuo, envolvendo reeducação alimentar e suporte psicológico. Reconhecer gatilhos emocionais, estabelecer uma rotina equilibrada e adotar estratégias mais saudáveis para lidar com o estresse são medidas essenciais para reduzir episódios compulsivos. Especialistas recomendam buscar ajuda profissional ao primeiro sinal de comportamento alimentar desregulado, garantindo diagnóstico precoce e ampliando as chances de recuperação.