O delegado afirmou que, na véspera do crime, o suspeito telefonou para o filho e disse que aquela seria a última vez que conversariam

Goianésia - A técnica de enfermagem Rosilene Barbosa do Espírito Santo, de 38 anos, assassinada em Rio Verde, no sudoeste de Goiás, havia solicitado uma medida protetiva de urgência contra o ex-companheiro dias antes do crime. O pedido foi feito após registrar um Boletim de Ocorrência por violência doméstica e ameaças, segundo informou o delegado Adelson Candeo.

O feminicídio ocorreu no início da tarde, em uma distribuidora de bebidas. Imagens de câmeras de segurança mostram Rosilene usando o celular na calçada quando é surpreendida por um homem de camisa verde, identificado como Edis Ramos Mandacari, de 36 anos. Ele se aproxima e dispara várias vezes à queima-roupa. Após os tiros, ele deixa o local caminhando. A polícia informou que o autor do crime tirou a própria vida logo depois.

Histórico de agressões

No boletim registrado no dia 25 de novembro, Rosilene relatou um histórico de brigas, humilhações e ameaças constantes ao longo dos 15 anos de relacionamento. Segundo o documento, xingamentos como “burra” e “idiota” eram frequentes.

O registro aponta que, para se proteger, a técnica de enfermagem havia deixado a casa onde vivia com o ex-marido e estava hospedada com uma amiga. No dia da denúncia, ela afirmou que Edis estava alterado e dizia que não aceitaria o fim do relacionamento.

Ainda conforme o relato, o agressor afirmou estar tomado por “raiva e ódio” e disse que, caso tivessem que se separar e dividir os bens, “preferia matá-la e depois se matar”. Em seguida, voltou a repetir que “não iria sofrer” e que “preferia morrer”. Rosilene contou à polícia que, durante a discussão, ele a enforcou e tomou seu celular. Ela conseguiu fugir pulando o muro para buscar ajuda com uma vizinha.

Último contato com o filho

Rosilene e Edis, naturais do Mato Grosso, tinham um filho de 12 anos. O delegado afirmou que, na véspera do crime, o suspeito telefonou para o menino e disse que aquela seria a última vez que conversariam indicação de que já havia premeditação.

“Ele cumpriu exatamente o que disse, mas antes cometeu essa tragédia”, afirmou o delegado Adelson Candeo.