Parceria entre público e privado também foram enfatizadas pelos profissionais da área

Goianésia - Nesta quarta-feira, 26 de novembro, a RVC FM discutiu a educação no terceiro episódio da série “2026 à Vista”. A edição de hoje reuniu especialistas para analisar desafios, avanços e perspectivas do setor educacional em Goianésia, dentro de um projeto especial que ao longo da semana aborda temas essenciais para o futuro do município.

O debate contou com a participação do professor Rafael Khayat - diretor da Faculdade de Medicina de Goianésia; José Mateus - reitor do Centro Universitário Evangélico de Goianésia  (Uniego); e Noé Raimundo - secretário municipal de Educação. Nas entrevistas anteriores, a série tratou do trânsito e da saúde, sempre com foco em políticas públicas, investimentos e ações que interferem diretamente na vida da população.

Mudança de status e ganhos institucionais da Uniego

O reitor José Mateus destacou o processo recente que transformou a então faculdade isolada em centro universitário, mudança classificada por ele como um marco “genuinamente goianesiense”, que fortalece o papel da instituição na região.

Segundo o reitor, a legislação conhecida como Lei dos Sinais permite que faculdades isoladas ascendam a novos níveism faculdade isolada, centro universitário ou universidade, mediante avaliação rigorosa do MEC. O Uniego obteve conceito máximo, nota 5, na avaliação para credenciamento como centro universitário.

José Mateus explica que a instituição, por ser filantrópica, sem fins lucrativos e comunitária, opera “praticamente como uma instituição pública”, com foco em impacto social e não em lucro. Ele reforça que o novo status amplia responsabilidades e oportunidades:

“Com o Centro Universitário, teremos um nível muito maior de atuação em pesquisa e na busca de soluções para desafios locais, especialmente no setor industrial e nas demandas científicas da região.”

A Uniego já conta com um programa de mestrado em funcionamento e trabalha para ampliar sua atuação em pesquisa e inovação. Para o reitor, isso garante que Goianésia tenha uma instituição de ensino superior alinhada às necessidades reais do município e do Vale do São Patrício.

Autonomia para novos cursos e foco na ciência e tecnologia

Com o novo status, o Uniego passa a ter autonomia para abertura de cursos, sem depender previamente da autorização do Ministério da Educação. O processo fica condicionado apenas às avaliações de qualidade, o que acelera projetos futuros.

Sobre a possibilidade de implantação de um curso de Medicina, José Mateus afirma que o tema está em análise, mas com responsabilidade:

“A partir de agora existe, sim, a possibilidade. Mas é preciso pensar na realidade regional. Seria medicina o curso certo para este momento? Temos refletido muito sobre isso dentro de um novo arranjo institucional.”

Ele reforça que a Uniego está priorizando cursos ligados à ciência e tecnologia, áreas estratégicas do novo cenário global, marcado pela inteligência artificial e pela inovação. Segundo Mateus, esse planejamento ocorre com apoio de um grupo técnico que analisa demanda regional, viabilidade acadêmica e impacto socioeconômico.

Compromisso filantrópico e combate à mercantilização da educação

O reitor enfatizou repetidamente que a instituição segue um caminho contrário ao modelo de “educação como comércio”, presente em diversas partes do país. Ele lembra que:

“Nosso objetivo não é ter lucro. É oferecer ensino de qualidade, promover trabalhos sociais e atender às necessidades reais da região.”

A Uniego tem avaliação máxima no MEC, com conceito 5 no credenciamento e cursos bem posicionados no Enade, com notas entre 4 e 5.

Para José Mateus, o compromisso com ensino, pesquisa e extensão garante que a instituição contribua de forma direta para o desenvolvimento socioeconômico de Goianésia, formando profissionais alinhados ao futuro do mercado e às demandas da comunidade.

Unirv: impacto econômico, expansão da formação médica e nova infraestrutura

O professor Rafael Khayat apresentou um panorama consistente da Faculdade de Medicina da Unirv e do impacto da instituição no município. Ele explicou que Goianésia se tornou um polo de atração de estudantes de diferentes regiões, o que movimenta a economia, fortalece o setor imobiliário e amplia o consumo local. Nas palavras dele, “a Faculdade de Medicina trouxe para o município uma movimentação muito grande, fomentando a educação, a economia e o impacto social em Goianésia.”

Ao todo, a instituição já formou mais de 500 médicos, distribuídos em nove turmas, enquanto o campus reúne atualmente cerca de mil estudantes, um dos maiores contingentes em formação médica no estado. Khayat reforçou que os alunos atuam diariamente na rede pública, em atendimentos ambulatoriais, de urgência e em especialidades, o que amplia a capacidade assistencial do município. Para ele, essa atuação conjunta eleva o padrão de qualidade dos serviços de saúde:

“Grande parte dos profissionais que atuam hoje na saúde da região são formados pela Unirv. A formação desses alunos afeta diretamente a comunidade.”

A Faculdade de Medicina também passou por uma transformação estrutural após investimentos próximos de R$ 5 milhões, modernizando o campus e fortalecendo o ambiente de ensino. O diretor destacou que o município, por meio da Secretaria de Educação, cedeu espaços provisórios para que as atividades acadêmicas não fossem interrompidas, gesto que contribuiu para que o curso recebesse elogios em supervisão recente do INEP.

Nota 2 no CPC: esclarecimentos e a nova avaliação

Sobre a nota 2 atribuída pelo CPC 2023, Khayat explicou que o resultado refletiu um episódio pontual, marcado por protestos de estudantes à época. Ele afirmou que a instituição realizou um trabalho intenso de conscientização, e que a nova avaliação deve corrigir distorções:

“O MEC vai divulgar a nova nota nos próximos meses, e certamente ela será compatível com a qualidade que a instituição realmente tem.”

Para reforçar essa afirmação, citou aprovações expressivas em residências médicas de alta concorrência em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.

Centro de Especialidades e integração com o município

Além da formação médica, Rafael Khayat enfatizou que o novo Centro de Especialidades da Unirv, que está com a primeira etapa concluída, ampliará ainda mais a capacidade assistencial do município. Ele revelou que apenas no último ano foram realizados mais de 25 mil atendimentos especializados, resultado do trabalho articulado entre docentes, preceptores e estudantes.

Segundo ele, “a qualidade de atendimento melhora quando o cuidado é pautado no que está nos livros, no que foi ensinado, e não em achismos ou improvisos”, lembrando que a presença de uma faculdade de medicina instalada no município transforma a assistência ofertada à população.

Rede municipal: expansão acelerada da educação infantil e ensino fundamental

O secretário Noé Raimundo apresentou uma análise detalhada do crescimento da rede municipal e destacou a cooperação histórica entre município e instituições superiores. Ele afirmou que “Goianésia vive um momento raro, onde trabalhamos de mãos dadas, da pré-escola ao mestrado”, ressaltando que muitos profissionais da rede cursam especializações ofertadas localmente, o que eleva o nível de qualificação e reflete diretamente na sala de aula.

Ao revisitar o início da gestão, Noé lembrou que 2021 foi marcado por forte demanda reprimida e carências estruturais, o que levou a prefeitura a adotar uma solução rápida: salas modulares para abrir 200 novas vagas de creche já em 2025. Para ele, essa medida foi decisiva:

“Se dependêssemos da construção tradicional, essas vagas não chegariam a tempo. As famílias precisavam de resposta imediata.”

Mesmo com o avanço, a lista de espera ainda demanda novas ações. A creche do setor Hermínio Lopes, em fase avançada, deve abrir pelo menos 250 vagas em 2026, permitindo que Goianésia alcance quase 500 novas vagas de educação infantil entre 2025 e 2026.

Novas escolas e projeção inédita para 2026

Ao tratar do ensino fundamental, Noé lembrou que o crescimento populacional acelerou a necessidade de expansão. O secretário explicou que o município já constrói duas novas escolas, um feito que não ocorria desde a inauguração da Escola Lauro da Penha, há várias gestões. Ele explicou que essas unidades devem gerar aproximadamente 700 vagas, preparando a cidade para alcançar a marca dos 100 mil habitantes de forma estruturada.

No encerramento, apresentou a projeção geral da rede:

“Quando concluirmos 2026, teremos ofertado cerca de 1.200 novas vagas, aproximadamente 500 na educação infantil e outras 700 no ensino fundamental. É uma excelente notícia para Goianésia.”