Estudo sobre a invisibilidade de mulheres negras é premiado

Goianésia- As estudantes Maria Tereza Santos Pereira, natural de Goianésia, e Gabrielly Pereira Fonseca, do curso de Relações Internacionais da Universidade Federal de Goiás (UFG), conquistaram o Prêmio Mônica de Menezes Campos, promovido pelo Ministério das Relações Exteriores por meio da Fundação Alexandre de Gusmão (FUNAG). O trabalho, que discute a invisibilidade de mulheres negras em pautas ambientais e diplomáticas, garantiu às jovens o primeiro lugar nacional, levando o nome de Goiás e de Goianésia a destaque no cenário acadêmico brasileiro.

Para Maria Tereza, a conquista é um reconhecimento do esforço e da relevância do tema abordado. “Receber essa premiação é uma conquista enorme, principalmente por vir do principal órgão que formula a política externa do país. Nosso artigo, fruto de semanas de pesquisa, analisou o racismo ambiental e seus impactos na vida de mulheres negras. Buscamos mostrar que este tema precisa de mais atenção no meio acadêmico, na sociedade civil e no ambiente político. Para nós, que estamos na graduação, é fundamental ter um trabalho publicado e reconhecido nacionalmente”, destacou.

O estudo das alunas abordou como o racismo ambiental influencia a participação de mulheres negras em espaços de decisão política, incluindo conferências internacionais sobre mudanças climáticas. A pesquisa evidenciou que a ausência de representatividade reflete desigualdades históricas e estruturais ainda presentes no país.

Maria Tereza explicou como estruturaram o artigo. “Buscamos entender a representação de mulheres negras na agenda climática brasileira em nível internacional. Considerando que mais de 50% da população do Brasil é negra, analisamos os discursos dos ministros Marina Silva e Geraldo Alckmin durante a 29ª Conferência das Partes, realizada no Azerbaijão no ano passado. Observamos que não houve menção sobre como as mudanças climáticas afetam mulheres negras, especialmente aquelas que vivem nas periferias. Nosso objetivo foi problematizar essa lacuna e demonstrar que, apesar do compromisso do Brasil com a representatividade na agenda climática, ela ainda não se efetiva de forma concreta.”

O Itamaraty destacou o rigor científico e o impacto social do trabalho desenvolvido pelas alunas da UFG, reconhecendo a relevância do estudo para políticas públicas e debates internacionais. Maria Tereza celebrou a premiação, ressaltando que o prêmio simboliza o esforço coletivo e a importância da educação pública como instrumento de transformação social.