Goianésia- Foi realizada nesta terça-feira (25) o segundo episódio da série “2026 à Vista”, produzida pela RVC FM, que, ao longo desta semana, abre espaço para discutir temas estratégicos para o presente e o futuro de Goianésia, como trânsito, saúde, educação, indústria, comércio e a visão de ex-prefeitos e do atual prefeito Renato de Castro.
O episódio de hoje concentrou-se na saúde, partindo das demandas consolidadas na Conferência Municipal de Saúde 2025. A conferência contou com a participação de 71 pessoas, entre usuários, trabalhadores e gestores, que apontaram prioridades como a melhoria do acesso aos serviços. Profissionais detalharam a necessidade de maior valorização da equipe de enfermagem, ampliação das especialidades médicas e apoio psicológico.
Para debater essas questões, a RVC FM recebeu a doutora Rosa Steckelberg, presidente do Conselho Municipal de Saúde, ex-secretária municipal e doutoranda em Inovação Farmacêutica pela Universidade Federal de Goiás, e o médico Luciano Leão, presidente do Conselho Fiscal da Unimed Cerrado, diretor clínico do HUEGO e preceptor da Unievangélica. A secretária municipal de Saúde, Marina Batista, e a vereadora Stella Rodrigues, presidente da Comissão de Saúde e Direitos Humanos, foram convidadas, mas informaram que não poderiam participar por compromissos de agenda.
Conselho Municipal de Saúde e participação popular
Dra. Rosa detalhou a necessidade do Conselho para a participação cidadã: “O Conselho é um olhar da comunidade para o serviço de saúde. É instituído por lei, seguindo os preceitos da Constituição, e deve ser paritário, com 50% dos conselheiros sendo usuários. As Conferências de Saúde dão voz à população e consolidam o plano municipal de saúde para os próximos quatro anos. Não pode ficar à mercê de vontades políticas que não sejam baseadas nas necessidades da população.”
Dr. Luciano complementou, enfatizando o papel do Conselho na gestão local: “O Conselho Municipal, quando bem dirigido, permite que cada município identifique suas necessidades. Mas muitas pessoas não estão acostumadas a participar. A diretoria precisa mobilizar usuários, profissionais e gestores para que as decisões reflitam a realidade do sistema de saúde.”
Rosa também explicou os resultados da conferência: “Os usuários destacaram principalmente a melhoria do acesso, agilidade no atendimento e regularidade do fornecimento de medicamentos. Já os profissionais pediram melhores condições de trabalho, valorização salarial, infraestrutura adequada e fluxos claros de referência e contrarreferência. Essas demandas são essenciais para que o plano municipal seja eficaz.”
Dr. Luciano reforçou: “A atenção primária é fundamental. Quando resolutiva, evita que problemas simples se transformem em casos complexos. Além disso, programas de vacinação, integração com educação e atenção aos idosos são prioridades que precisam ser bem planejadas e executadas.”
Novo Hospital Municipal: pronto, mas parado
Um dos pontos centrais do debate foi o novo Hospital Municipal, cuja obra está concluída, mas que ainda não entrou em funcionamento. Rosa Steckelberg detalhou os desafios: “Hoje, o prédio do novo Hospital Municipal não atende nem às normas sanitárias, nem à demanda da população. Precisamos buscar soluções e já incluímos na pauta do Conselho solicitar esclarecimentos sobre o que falta para o funcionamento. O financiamento precisa ser mais assertivo, considerando a real necessidade do município, e o hospital só vai funcionar se houver planejamento tripartite: municipal, estadual e federal.”
Dr. Luciano detalhou as questões estruturais observadas: “Durante visitas à instituição, constatamos problemas graves na estrutura física, como drenagem, rede elétrica e ar-condicionado. Parte da obra precisou ser refeita. Hoje, ainda não existe planejamento completo de funcionamento nem profissionais suficientes. É preciso definir médicos, enfermeiros, técnicos e maqueiros, além de garantir recursos para insumos e manutenção.”
Rosa acrescentou: “Se o hospital não tiver profissionais suficientes, ele não funcionará. Temos que planejar não apenas a obra, mas toda a manutenção e custo mensal. É um prédio pronto, mas que precisa de recursos garantidos e gestão eficiente para atender à população.”
Dr. Luciano concluiu sobre a complexidade do financiamento: “Nenhum país consegue atender a todos simultaneamente. A participação da população é fundamental, cada município deve identificar suas necessidades, e o Conselho atua como mediador. Precisamos de um planejamento integrado para que o hospital seja sustentável e eficiente”, frisou.
Perspectiva dos usuários e profissionais de saúde
O relatório da Conferência Municipal trouxe demandas claras:
Usuários: melhoria do acesso, agilidade e resolutividade do atendimento, regularidade na oferta de medicamentos, atenção básica fortalecida, integração das redes de atenção.
Profissionais de saúde: melhores condições de trabalho, valorização salarial, humanização no atendimento, infraestrutura adequada, fluxos de referência e contrarreferência claros, ampliação de especialidades médicas, apoio psicológico, maior reconhecimento da equipe de enfermagem.
Próximos passos
O Conselho Municipal de Saúde realizará uma reunião na próxima quinta-feira, às 16h, para discutir o andamento do Hospital Municipal e colaborar com a gestão na resolução das pendências. A população e entidades representativas são chamadas a participar, garantindo que as decisões sobre políticas públicas de saúde sejam construídas de forma coletiva e transparente.
O episódio desta terça-feira da série “2026 à Vista” reforça a importância do debate público, destacando a necessidade urgente de colocar em funcionamento o Novo Hospital Municipal. A série segue ao longo da semana, e amanhã o próximo episódio será dedicado à educação, abordando desafios e perspectivas para o futuro da cidade.




