Ao longo da ação, foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão e seis mandados de prisão

 

Goianésia - Uma força-tarefa realizada nesta semana resultou no bloqueio de aproximadamente 28 milhões de reais atribuídos ao Comando Vermelho em Goiás. A ação, batizada de Operação Cifra Vermelha, teve como foco desmontar um esquema de lavagem de dinheiro que vinha abastecendo as atividades da facção no estado.

O alvo central da operação é um casal identificado pelas iniciais J. e A.P., apontado como dirigentes de um braço financeiro da organização criminosa.

Ao longo da ação, foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão e seis mandados de prisão, entre preventivas e temporárias. Um contador, suspeito de estruturar empresas fictícias usadas para movimentação ilegal de recursos, foi preso. Já o casal investigado não foi localizado e é considerado foragido.

Durante o cumprimento das ordens judiciais, equipes apreenderam dinheiro em espécie, armas, munições, eletrônicos e veículos. Todo o material passará por perícia, que deverá ajudar na identificação de outros possíveis operadores financeiros da facção em Goiás.

As investigações começaram há cerca de um ano e avançaram após a quebra de sigilo telemático dos suspeitos, possibilitando o rastreamento de conversas e movimentações bancárias. Conforme o Ministério Público, J. seria o responsável por arquitetar o esquema, enquanto A.P. cuidava do controle das finanças.

Segundo os investigadores, a facção utilizava empresas de fachada para mascarar a origem ilícita dos valores. Depósitos fracionados eram realizados diariamente em várias contas vinculadas ao grupo , muitas vezes em casas lotéricas, que, somado, movimentava milhões de reais.

Para reforçar a aparência legal dos recursos, o casal também investia na compra de gado, área na qual foram identificados gastos que chegam ao montante bloqueado de R$ 28 milhões.

A investigação revelou ainda que familiares eram usados na operação, inclusive menores de 12 e 14 anos, que tinham contas bancárias abertas em seus nomes para ocultar valores enviados por traficantes.

De acordo com o tenente-coronel Daniel Machado, da PMGO, até a mãe de A.P., aposentada com renda de R$ 2.400, teve seu nome utilizado em transações que ultrapassaram R$ 1,1 milhão.

Para o Ministério Público, o bloqueio dos R$ 28,1 milhões representa um golpe direto no financiamento da facção criminosa. Os promotores afirmam que a medida enfraquece setores estratégicos da organização, como aquisição de armas, drogas e logística.