Rafael dos Anjos Martins é a 11ª vítima confirmada

Goianésia- O estudante Rafael dos Anjos Martins, de 23 anos, morreu na quinta-feira (23), após 53 dias em coma no Hospital São Luiz, em Osasco (SP). Ele foi uma das primeiras vítimas identificadas da série de casos de intoxicação por bebidas alcoólicas adulteradas com metanol que vem sendo investigada em São Paulo e em outras regiões do país.

A morte foi confirmada pela família em nota publicada nas redes sociais. “Com o coração apertado, venho compartilhar que o nosso querido Rafael partiu para os braços de Deus. Depois de 53 dias em coma, o Senhor o chamou para descansar em paz, livre de toda dor e sofrimento”, diz o comunicado.

Rafael estava internado desde o dia 1º de setembro, quando deu entrada em estado grave no Hospital Geral do Grajaú, com sintomas de intoxicação aguda. Ele foi posteriormente transferido para o Hospital São Luiz, onde passou por sessões de hemodiálise e tratamento intensivo, mas não resistiu às complicações

De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil soma 10 mortes confirmadas por intoxicação por metanol, substância tóxica usada irregularmente na adulteração de bebidas alcoólicas, e o caso de Rafael deve ser o 11º óbito.

O episódio que levou à contaminação do estudante foi registrado em um boletim de ocorrência no início de setembro. Segundo o documento, obtido à época pelo jornal Estadão, Rafael teria consumido gin adulterado durante uma confraternização na madrugada de 31 de agosto, na própria casa.

A bebida havia sido comprada em um pacote promocional no estabelecimento Empório Santos, que incluía gin, gelo de água de coco e energético. Cinco pessoas participaram do encontro, todas com idades entre 23 e 27 anos. Rafael, segundo testemunhas, foi o único que ingeriu o gin puro, os demais misturaram a bebida com outros líquidos.

Após acordar no dia seguinte, o jovem começou a sentir fortes dores abdominais, vômitos e relatou que “estava cego”, sintomas típicos de intoxicação por metanol. Ele foi levado às pressas ao hospital, mas o quadro evoluiu rapidamente para coma.

Durante as investigações, a Polícia Civil recolheu duas garrafas da bebida que estavam na casa do estudante e 14 outras garrafas do mesmo tipo foram apreendidas na Adega Santos, onde a compra teria sido feita.

Na ocasião, os representantes do estabelecimento alegaram que o grupo de amigos era conhecido no local e que o jovem já apresentava sinais de embriaguez. No entanto, a perícia analisa se o gin continha traços de metanol, substância altamente tóxica e proibida para consumo humano.

Os casos de intoxicação por metanol acenderam um alerta sanitário nacional. O Ministério da Saúde e as secretarias estaduais reforçam o pedido para que a população verifique a procedência das bebidas alcoólicas, especialmente as adquiridas em promoções ou pontos de venda informais.

A ingestão de metanol pode causar cegueira, insuficiência renal, coma e morte, mesmo em pequenas quantidades. As investigações continuam para identificar os responsáveis pela adulteração das bebidas e evitar novos casos.