Delegacia intensifica investigações para identificar outras vítimas

 

Goianésia - A manipulação da fé e a vulnerabilidade emocional têm sido usadas como ferramentas para golpes cada vez mais sofisticados. Em Goianésia, uma mulher foi presa em flagrante, acusada de extorsão espiritual, após exigir quantias vultosas de vítimas sob a promessa de afastar “espíritos malignos”. A própria vítima, depois de sofrer diversas chantagens, acabou ficando sem dinheiro e precisou buscar ajuda de familiares, o que levou à denúncia e à investigação do caso.

Em entrevista exclusiva à RVC FM, o delegado Álvaro Rodrigo Ferreira Resende, titular do Gepatri em Goianésia, detalhou a complexidade das ações criminosas e a operação que culminou na prisão da suspeita. “A própria vítima e seus familiares, depois que ela foi extorquida tantas vezes, ficaram praticamente sem dinheiro para pagar as novas chantagens, e foi aí que pediram ajuda. Quando os familiares souberam da situação, vieram à delegacia com um registro falso, o que foi essencial para iniciar as investigações”, explicou o delegado.

A suspeita, identificada como Sabrina Saviti, praticava fraudes inclusive em comércios locais. “Assim que ela chegou a Goianésia, começou a aplicar golpes de estelionato em comércios, onde dizia que seu cartão não passava e que estava com uma criança com fome no carro. Pedia para os comerciantes fazerem uma nota promissória para pagar depois, mas nunca pagava. Contudo, depois que foi identificada, ela ressarciu os valores, e os comerciantes desistiram de denunciar, o que não apagou seu histórico na cidade”, relatou o delegado.

O delegado ainda ressaltou que Sabrina tem um longo histórico criminal em outros estados. “Entramos em contato com as polícias de Brasília e outros locais. Ela já tem várias ocorrências desde 2020, praticando golpes semelhantes, inclusive um golpe de R$ 90 mil em Uruaçu, em 2024. São golpes vultosos que causam grande prejuízo psicológico e financeiro às vítimas”, alertou Álvaro Resende.

O delegado pontua que a primeira vítima foi um idoso. “Ele a procurou para resolver uma macumba que teria sido feita no Mato Grosso, e ela cobrou seis mil reais por um suposto trabalho espiritual. Depois, alegava que o ‘espírito maligno’ teria passado para os filhos dele, exigindo valores diferentes para cada um, sempre com ameaças e manipulações. A última exigência foi de R$ 34 mil, reduzida para R$ 22 mil no momento da prisão em flagrante”, contou o delegado.

Segundo o delegado Álvaro, a conduta da suspeita se enquadra no crime de extorsão espiritual, com base em recente decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). “A pena prevista é de quatro a oito anos por crime praticado. Como ela fez várias exigências, responderá por continuidade delitiva, o que pode aumentar a pena”, detalhou.

O delegado fez um apelo à comunidade: “Muitas pessoas têm vergonha de denunciar porque se sentem enganadas pela própria fé, mas não devem se constranger. Contamos com a ajuda da população para que outras vítimas se apresentem e denunciem. Esse tipo de crime, que abusa da vulnerabilidade psicológica para obter dinheiro ilegalmente, deve ser combatido com rigor”, concluiu.