Fenômeno climático vai favorecer maior regularidade das chuvas no Centro-Oeste, especialmente a partir da segunda quinzena de outubro

 

Goianésia - O fenômeno climático La Niña foi oficialmente confirmado pelos institutos de meteorologia e deve influenciar diretamente o regime de chuvas em Goiás nos próximos meses. Em Goianésia, a expectativa é de que as precipitações se tornem mais regulares e comecem mais cedo do que o habitual, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

A La Niña é caracterizada pelo resfriamento das águas superficiais do Oceano Pacífico, especialmente nas regiões central e oeste da faixa equatorial. De acordo com o Inmet, as condições começaram a se configurar em setembro, com a queda na temperatura do mar, o que favorece a formação de nuvens e a intensificação das chuvas em grande parte do Brasil central.

A meteorologista Elizabeth Alves explica que, apesar de não ser um evento extremo neste momento, a La Niña já começa a influenciar o clima na região. “Ela vai interferir, mas nem tanto. Vai contribuir para que ocorram chuvas com mais regularidade. A tendência para o Centro-Oeste é que as chuvas comecem a partir da segunda quinzena de outubro e, em novembro, já tenhamos uma frequência maior de precipitações”, afirma.

A especialista destaca ainda que a intensidade do fenômeno em Goiás depende de outros fatores, como a circulação atmosférica e a atuação da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), sistema meteorológico que favorece o aumento das chuvas em várias regiões. “Dependendo da intensidade da La Niña se fraca, moderada ou forte ela pode interferir mais ou menos na condição de chuva. No Sul do Brasil, por exemplo, uma La Niña forte costuma provocar seca, enquanto no Norte pode causar enchentes. Aqui no Centro-Oeste, o impacto é mais variável”, explica.

Segundo Elizabeth, a Zona de Convergência do Atlântico Sul desempenha um papel fundamental nesse cenário. “É um canal de umidade que vem desde a região Norte, atravessa o Centro-Oeste e segue até o Sudeste, chegando ao oceano. Se esse sistema se fortalecer, ele potencializa as chuvas por aqui. Tudo depende dessa interação entre os fenômenos climáticos”.p