Ameaça à tradição mobiliza moradores em defesa do patrimônio cultural local

Goianésia- Moradores do Distrito Capela do Rio do Peixe, em Pirenópolis (GO), travam uma disputa judicial para preservar um campo de futebol que é tradição local há mais de 60 anos. A área, que pertence à paróquia local, é usada pela população como ponto de encontro e patrimônio cultural da comunidade, mas está ameaçada por um projeto do padre João Paulo, responsável pela igreja, que pretende construir um santuário no local.

De acordo com a Associação de Moradores do Rio do Peixe, a população já protocolou um processo de usucapião para garantir o direito coletivo sobre o terreno. A audiência de instrução e julgamento aconteceu na última semana e, conforme a defesa, as provas apresentadas reforçam o pedido da comunidade.

Um representante da associação afirmou que o campo é um símbolo cultural e histórico para o distrito, usado pela população há décadas.

Edvânia, moradora local desde criança, lembrou que o campo foi construído pela própria comunidade. Segundo ela, o povo fez o campo com as próprias mãos, e o espaço sempre foi utilizado para as brincadeiras das crianças, torneios e festas do distrito. A moradora destacou que o padre pretende usar o espaço para construir um santuário, o que tem gerado forte resistência na comunidade.

Além da disputa pela área, moradores relatam que o padre chegou a transformar parte do campo em estacionamento durante um evento religioso, cobrando pelo uso do espaço, atitude que gerou resistência por parte da população.

A situação se agravou após denúncias de que o padre teria vendido uma parte do cemitério local, propriedade também da paróquia, aumentando o conflito com os moradores. Para discutir o caso, representantes da comunidade vão se reunir com o bispo da Diocese de Anápolis na próxima quinta-feira (10), buscando apoio para preservar o campo como patrimônio coletivo.

Juarez, outro morador, reforçou a importância do campo para o distrito e relatou o clima tenso vivido pela população. Ele afirmou que cresceu na região, participou das missas com fé e alegria, mas considera muito triste ver o campo, feito pelo povo, ameaçado. Segundo ele, o padre chegou a usar a polícia para abrir cadeado e tomar o espaço, causando desespero entre as crianças e os moradores.

Para defender o campo, a comunidade se organizou e arrecadou cerca de R$ 10 mil em rifas para custear a ação judicial. Juarez afirmou que o grupo só quer respeito pelo espaço e que o que está acontecendo é um desrespeito com a população local. O processo corre na comarca de Pirenópolis e deve ter decisão em até 15 dias.