Goianésia- O consumo de bebidas alcoólicas caiu significativamente nos últimos dias em várias regiões do país após a confirmação de casos de intoxicação por metanol. Em Goiás, bares, distribuidoras e supermercados também relataram queda nas vendas, especialmente de bebidas destiladas como uísque, vodka e cachaça. O temor da falsificação e a falta de confiança na procedência dos produtos têm afastado os consumidores.
De acordo com a presidente do Conselho de Saúde de Goianésia, Dra. Rosa Steckelberg, a situação é considerada uma crise sanitária preocupante. “Estamos diante de uma crise sanitária com o aumento dos casos de intoxicação por metanol, devido à adulteração de bebidas alcoólicas. O metanol não altera o sabor ou a aparência da bebida, mas é extremamente tóxico. Diferente do etanol, presente nas bebidas legalizadas, o metanol, após metabolizado no fígado, se transforma em formaldeído e ácido fórmico, substâncias altamente nocivas ao organismo”, explica.
Estima-se que 36% das bebidas alcoólicas comercializadas no Brasil sejam falsificadas, adulteradas ou contrabandeadas, com destaque para vinhos e destilados. Diante do aumento dos casos, o Ministério da Saúde anunciou medidas emergenciais, como a aquisição de 150 mil ampolas de etanol farmacêutico e articulação com a Anvisa para garantir o fornecimento do antídoto Fomepizol e etanol medicinal.
A Dra. Rosa detalha os sintomas e os perigos da intoxicação por metanol, que podem demorar até 36 horas para se manifestar.
“Inicialmente, os sintomas se confundem com os de uma ressaca comum, tontura, náusea, dor de cabeça. Mas o metanol é um solvente usado em combustíveis e produtos industriais. No organismo, ele é transformado em substâncias tóxicas que podem causar acidose metabólica, lesões no sistema nervoso e até cegueira. Quando há sintomas persistentes por mais de seis horas após o consumo, é preciso buscar atendimento médico imediato. Se possível, levar a embalagem da bebida pode ajudar na identificação e no tratamento.”
Em casos graves, o tratamento pode incluir o uso de antídotos específicos e até hemodiálise para a remoção das toxinas do organismo.
Especialistas alertam que o consumo de bebidas falsificadas representa um risco real à saúde e pode resultar em danos irreversíveis, incluindo perda de visão e morte. A recomendação é clara: só consumir bebidas de procedência conhecida, verificar lacres e rótulos, desconfiar de preços muito abaixo do mercado e evitar marcas desconhecidas ou vendidas em locais informais.




