Goianésia- Três pessoas morreram e pelo menos dez casos de intoxicação por metanol em bebidas alcoólicas estão sendo investigados em São Paulo. A Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF) suspeita que o produto químico seja o mesmo utilizado pelo PCC na adulteração de combustíveis, descoberto em uma recente megaoperação do Ministério Público de SP.
Segundo a ABCF, o fechamento de distribuidoras ilegais ligadas à facção pode ter levado à revenda clandestina de metanol para destilarias irregulares, com potencial de causar graves danos à saúde.
O metanol é altamente tóxico. Mesmo pequenas quantidades podem causar cegueira, falência hepática, coma e morte. O produto é inflamável e tem cheiro semelhante ao álcool comum, o que dificulta sua identificação.
O Ministério da Justiça emitiu uma recomendação urgente para que bares, mercados, distribuidores e plataformas de venda adotem medidas de verificação rigorosa das bebidas. Entre os sinais de falsificação estão preços muito baixos, erros nos rótulos e odor semelhante a solvente.
Estabelecimentos devem suspender imediatamente a venda de lotes suspeitos e preservar as embalagens para possível perícia. Casos de intoxicação devem ser comunicados à Vigilância Sanitária, Polícia Civil (197) e ao Disque-Intoxicação (0800 722 6001).
De acordo com o Anuário da Falsificação 2025, o setor de bebidas sofreu perdas de R$ 88 bilhões em 2024, sendo R$ 29 bilhões em sonegação de impostos. A ABCF também criticou a suspensão do Sicobe, sistema da Receita Federal que monitorava a produção de bebidas, e defende sua retomada como forma de dificultar a ação de quadrilhas. “A entrada do crime organizado no mercado de bebidas ilegais torna o combate muito mais difícil, especialmente nas periferias dos grandes centros”, alerta a associação.




