Prejuízo estimado teve danos financeiros e ambientais

Goianésia- A Polícia Civil de Goiás desmantelou uma organização criminosa responsável por aplicar um golpe milionário que oferecia chácaras inexistentes em um suposto “Condomínio Rural” às margens do Rio dos Patos, em Barro Alto. O caso, conhecido como “Condomínio dos Bichos”, causou prejuízos estimados em quase R$ 10 milhões, entre danos financeiros e ambientais.

Em entrevista exclusiva à RVC FM, o delegado Marco Antônio Maia, titular da delegacia de Barro Alto, afirma que a investigação teve início após denúncias de vítimas que se sentiram enganadas pelas falsas promessas do empreendimento. “Fomos acionados por algumas vítimas que começaram a perceber que algo não estava certo na negociação. Era muita propaganda, lotes vendidos a preços altos, e um cenário que, à primeira vista, parecia real, mas não tinha qualquer aprovação legal”, explicou.

O delegado detalhou que a área usada no golpe era uma zona de preservação ambiental de aproximadamente 19,5 hectares, invadida ilegalmente pelos criminosos. “O que encontramos foi um condomínio montado com postes de energia, câmeras e até portaria, além de uma forte presença nas redes sociais para dar credibilidade à fraude. Foram oferecidos 69 lotes com promessa de regularização, mas tudo era falso”, afirmou.

Ele ressaltou a gravidade dos danos ambientais causados pela organização criminosa. “Além do golpe financeiro, houve devastação da vegetação nativa com uso de maquinário pesado, remoção de barricadas e destruição da área protegida, o que configura crime ambiental grave”, acrescentou.

Entre os investigados estão dois ex-servidores públicos aposentados e um fiscal ambiental que, segundo o delegado, usaram de suas posições para legitimar o esquema. “Surpreendeu-nos a participação de um coronel e um major da reserva, além de um fiscal municipal, que davam respaldo ao empreendimento, o que aumentava a confiança das vítimas. Infelizmente, nem toda autoridade significa verdade, e muitas pessoas foram induzidas ao erro”, disse.

O delegado continuou detalhando os prejuízos sofridos pelas vítimas: “Alguns compradores gastaram até R$ 200 mil, acreditando que estavam adquirindo um local seguro para lazer e descanso. A expectativa era de um ambiente tranquilo, ‘junto dos bichos e da mata’, como anunciavam. Mas, na realidade, tudo era uma farsa.”

Marco Antônio enfatizou o alerta à população para evitar novos golpes. “A presença de autoridades como um coronel muitas vezes leva as pessoas a acreditarem cegamente. Porém, nem sempre a aparência é verdadeira. Por isso, antes de comprar qualquer imóvel, é essencial verificar toda a documentação, licenças ambientais e a legalidade do empreendimento.”

A Polícia Civil agiu rapidamente, conseguindo suspender as invasões e obter decisões judiciais que proibiram a continuidade do esquema. “O coronel chegou a ser preso e o major também foi detido, embora tenha saído posteriormente. Todos os envolvidos foram indiciados por associação criminosa”, relatou.

Sobre os impactos ambientais, o delegado finalizou: “Estamos trabalhando para reverter os danos causados à vegetação nativa e devolver o local ao estado original. É um processo longo, mas fundamental para preservar o meio ambiente.”

“E o recado que fica para a população é: desconfiem sempre de ofertas que parecem boas demais para ser verdade, principalmente quando envolvem pessoas em posições de autoridade. A verificação e o cuidado são essenciais para não cair em golpes como esse”, concluiu o delegado Marco Antônio Maia.