Goianésia - Apesar da conclusão da obra física e da entrega simbólica realizada em 30 de dezembro de 2024, o novo Hospital Municipal Irmã Fanny Duran ainda não foi oficialmente inaugurado. O prédio permanece fechado e sem atender à população de Goianésia, mesmo com uma estrutura moderna e totalmente equipada.
O impasse, que já dura quase oito meses, preocupa moradores e pressiona o sistema público de saúde do município. A moradora Érica Dias expressa a urgência da situação. “Seria muito importante o funcionamento do novo hospital municipal. Eu faço uso frequentemente da saúde pública do município. Às vezes chego no hospital, tá lotado, corredores lotados, não tem leito suficiente. Então, uma nova instalação poderia estar comportando a necessidade do município. Além de oferecer uma estrutura melhor, equipamentos novos, seria de suma importância para o nosso município, além de atender melhor a população”, afirma.
Considerado um dos maiores investimentos em saúde pública no interior de Goiás, o projeto teve valor estimado em R$ 29 milhões, de acordo com a gestão anterior do ex-prefeito Leonardo Menezes. Foram R$ 20 milhões aplicados na construção e mais de R$ 9 milhões em equipamentos e mobília.
O hospital foi erguido em uma área de 20 mil metros quadrados, com 4.450 metros quadrados de área construída. Conta com 60 leitos, três centros cirúrgicos, maternidade, pediatria, leitos de semi-UTI e setores de urgência e emergência, além de infraestrutura considerada de ponta.
Para o vereador Múcio Santana, a ativação da unidade deveria ser prioridade da atual gestão municipal.
“Lá na Câmara nós temos cobrado bastante, nós temos usado a tribuna denunciando, cobrando providências, aprovando os votos, requerimentos de melhoria da saúde. A minha impressão é que é tudo em vão. Nossa cidade caminha para 100 mil habitantes e nós temos o hospital velho, o antigo municipal. Agora, nós precisamos melhorar a qualidade da nossa saúde”, declara.
A indefinição sobre o início das atividades da nova unidade é um tema recorrente entre moradores e lideranças locais. Mesmo com a estrutura pronta, os serviços ainda não foram colocados à disposição da população, o que gera frustração e incerteza.
A presidente do Conselho Municipal de Saúde, doutora Rosa Steckelberg, aponta que o tema é uma das maiores preocupações do conselho.
“O funcionamento do novo hospital municipal é uma preocupação contínua dos conselheiros, do Conselho Municipal de Saúde, desde governos passados. O que nós não queremos ver é que essa construção fique abandonada como o CREDEC, que gastou muito dinheiro e não está cumprindo sua função social. Então, isso a gente vê que tem problemas desde a concepção. Será que precisaria de uma estrutura daquele tamanho ou ela poderia ser mais eficiente? A gestão passada apontou erros na anterior, essa agora aponta erros também, e o que nós não podemos mais é ficar nesse jogo de quem fez, quem errou, quem não errou. É preciso que questões técnicas agora se sobreponham. Que seja feito um estudo com participação da comunidade e de órgãos de controle social, de controle interno e tudo mais, para que se veja o que é preciso para colocar essa estrutura em funcionamento. Que ela não fique mais uma obra abandonada com a população precisando”, defende.
O prefeito Renato de Castro em resposta informou que o hospital passa por manutenções e ajustes finais, mas ainda não há uma data oficial para a inauguração.
“Já estamos tratando aqui hoje especificamente do Hospital Municipal Novo que nós iniciamos lá atrás e que até hoje ainda não foi concluído. Alinhamos com nossos engenheiros e secretários e muitas coisas já foram feitas ali no hospital. Por exemplo, o projeto para a troca do sistema de ar-condicionado já está concluído”, detalhou Renato.
Além disso, o prefeito falou que a gestão está trabalhando junto com a Equatorial na energização. “Precisamos instalar o transformador e o gerador para depois energizar o hospital, o que ainda não tinha sido feito. Conseguimos também com a Equatorial a rede auxiliar para levar a eletricidade até o ponto necessário. Inúmeros reparos estão sendo providenciados, principalmente nas salas de cirurgia, que estavam precisando do acabamento completo. Levantamos os serviços necessários para a conclusão e pagamos a empresa pelos serviços já executados e que ainda não tinham sido pagos. Agora estamos no ponto de tocar a obra e entregar esse hospital para o povo de Goianésia”, afirmou.
Com milhões de reais investidos, equipamentos novos e estrutura de ponta, o novo Hospital Municipal representa uma promessa de avanço importante para a saúde pública de Goianésia. No entanto, enquanto as portas seguem fechadas, a população continua à espera de melhorias efetivas no atendimento, enquanto o prédio pronto segue sem cumprir sua função social.




