Goianésia - A primeira-dama e secretária de Promoção Social de Goianésia, Igara de Castro, reforçou o compromisso da gestão municipal no enfrentamento à violência contra a mulher. Em pronunciamento recente, ela destacou a importância de identificar os sinais de abuso desde os primeiros estágios, principalmente os psicológicos, que muitas vezes passam despercebidos.
“Muitas vezes, a mulher não sabe que está em situação de violência”, afirmou Igara. Segundo ela, o ciclo de violência raramente começa com agressões físicas. “A violência contra a mulher acontece em vários âmbitos. A gente acredita que a agressão física é o fim, mas tudo começa antes. Muitas vezes, com a violência patrimonial e, principalmente, a psicológica”.
A secretária alertou que os abusos, frequentemente, iniciam-se por palavras e atitudes que buscam diminuir ou controlar a mulher. “Quando um homem tenta enquadrar uma mulher em um lugar menor, numa caixinha, isso é o início. E muitas vezes, isso termina em feminicídio, que é o pior dos casos. Infelizmente, em Goiás, os números são alarmantes. Este ano, já passamos de 400 feminicídios”.
Igara também lamentou a recorrência de casos registrados em vídeos e compartilhados nas redes sociais, evidenciando a urgência de ações efetivas. “Mesmo com esforços das forças de segurança, do governo do estado e das prefeituras, os casos continuam. Todos os dias vemos filmagens assustadoras”.
No âmbito municipal, ela ressaltou a importância do trabalho do CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência Social), que acolhe e acompanha mulheres vítimas de violência após a violação de direitos. “Quando uma mulher denuncia, vai à delegacia e o caso chega até nós, iniciamos um acompanhamento familiar. Tentamos oferecer condições para que ela consiga sair desse relacionamento abusivo”.
Igara reconhece os desafios que envolvem a ruptura desses ciclos de violência, especialmente quando há vínculos familiares. “É muito difícil, porque quando falamos de famílias, há muitas coisas em jogo. Mas precisamos trabalhar esse fortalecimento nas mulheres. A agressão não acontece só uma vez. A violência patrimonial e psicológica está por trás e demanda acompanhamento psicológico não só para a vítima, mas para toda a família”.
Ela concluiu com um apelo à mudança cultural. “As crianças estão crescendo achando que isso é normal. Isso não é corriqueiro, isso não é certo. Enquanto não mudarmos a mentalidade da nossa sociedade, não vamos alcançar melhorias reais”, pontuou.




