Goianésia- A criminalidade digital segue em crescimento acelerado e tem causado impactos profundos na vida da população. Em Goianésia, a situação é alarmante: entre janeiro e julho de 2025, foram registrados 565 casos de estelionato digital, uma média superior a dois golpes por dia, segundo balanço apresentado pela Polícia Civil na sessão ordinária da Câmara Municipal, realizada nesta quarta-feira (07/08).
A delegada regional da Polícia Civil, Poliana Bergamo, alertou sobre a gravidade dos dados. "Nossa regional abrange diversos municípios, mas hoje quero destacar especificamente a situação de Goianésia. Se expandíssemos os números para toda a regional, a realidade seria ainda mais preocupante", afirmou.
Durante a apresentação, Poliana citou dados recentes da pesquisa DataSenado, que revelam que 24% da população brasileira , cerca de 40 milhões de pessoas, foram vítimas de golpes em 2024. O Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública de 2025 também aponta um aumento expressivo: entre 2018 e 2024, houve crescimento de 410% nas fraudes eletrônicas, o que representa uma média de quatro golpes por minuto no país.
"Se a cada minuto quatro pessoas são vítimas, onde vamos parar? E o que faremos?", questionou a delegada. Em Goiás, foram registradas mais de 97 mil ocorrências de crimes digitais apenas no ano passado. "E esses números se referem apenas aos casos oficialmente denunciados", frisou.
Em Goianésia, os dados de 2024 indicam 924 registros de golpes digitais, consolidando uma média de 2,5 por dia. Entre os principais crimes, estão links falsos, boletos adulterados e fraudes por meio de aplicativos de mensagens.
Segundo Poliana, a subnotificação ainda é um obstáculo na luta contra os crimes virtuais. "Tenho certeza de que todos aqui já sofreram alguma tentativa de golpe, ou até foram vítimas e não registraram ocorrência. Isso compõe o que chamamos de 'mancha negra' da criminalidade, ou seja, aquilo que não entra nas estatísticas oficiais", explicou.
A delegada também destacou uma mudança no perfil das ocorrências registradas no município. "Antes, os crimes mais frequentes eram os relacionados à violência doméstica, amparados pela Lei Maria da Penha. Hoje, os crimes digitais ultrapassaram essas ocorrências. Estamos registrando, em média, 80 casos por mês, 20 por semana e 4 por dia."
A Polícia Civil reforça que a população deve ficar atenta a mensagens suspeitas, evitar clicar em links desconhecidos e, ao menor indício de fraude, procurar a delegacia ou registrar um boletim de ocorrência de forma online.




