Goianésia- O colapso do lixão Ouro Verde, em Padre Bernardo (GO), no dia 18 de junho, trouxe à tona mais uma vez os graves perigos que os lixões a céu aberto representam para o meio ambiente e para as comunidades locais. O desastre liberou uma enorme quantidade de resíduos, equivalente a 16 piscinas olímpicas, que atingiu o córrego Santa Bárbara e contaminou pelo menos dois rios da região: o Rio do Sal e o Rio Maranhão, a mais de 50 km de distância.
Produtores rurais locais, como Jeorge Maurício Vidal Lima, têm sofrido diretamente os impactos da contaminação. Os tanques de criação de peixes de sua propriedade só não secaram graças ao abastecimento feito por caminhões-pipa, já que a água do Rio do Sal — principal fonte da região — está poluída por chorume, um líquido tóxico gerado pela decomposição dos resíduos sólidos.
Diante da gravidade da situação, a Secretaria de Meio Ambiente de Goiás proibiu o uso da água de três mananciais que abastecem comunidades rurais próximas. Para conter a propagação da contaminação, a água está sendo bombeada para o outro lado do córrego, evitando contato direto com o lixo. Além disso, a retirada do lixo acumulado no córrego Santa Bárbara demandará mais de 4 mil viagens de caminhão. Como o acesso é difícil, a secretaria e a prefeitura estão construindo uma nova estrada para facilitar o transporte dos resíduos.
O lixão Ouro Verde pertence a uma companhia privada e foi instalado em uma área de preservação ambiental, apesar das tentativas do Ministério Público de impedir sua operação. A Justiça Federal, porém, autorizou o funcionamento do local até o momento do desastre. Após o desmoronamento, a Justiça determinou o fechamento do lixão e a Secretaria de Meio Ambiente aplicou uma multa de R$ 37,5 milhões à empresa responsável. Em nota, a Ouro Verde informou estar empenhada em remover o chorume e recuperar a área afetada.




