Goianésia- A Polícia Civil de Goiás indiciou os médicos responsáveis pela cirurgia estética realizada na empresária Fábia Portilho, de 52 anos, moradora de Goianésia, que faleceu em maio de 2024, quatro dias após o procedimento em Goiânia. A investigação aponta suspeitas de negligência e omissão de socorro por parte dos profissionais envolvidos.
A causa da morte foi tromboembolismo pulmonar gorduroso, uma complicação grave e fatal. De acordo com a apuração, a demora na realização de exames e na transferência da paciente pode ter comprometido o atendimento, contribuindo para o desfecho trágico.
O advogado da família, Pedro Gonçalves, detalhou os pontos do indiciamento. "A Polícia Civil conduziu uma investigação extensa e detalhada, ouvindo todos os envolvidos, incluindo médicos, enfermeiras e a acompanhante de Fábia no pós-operatório. Foram realizadas perícias complementares, e, após mais de um ano de apuração cuidadosa, a conclusão foi de que houve falha nos cuidados prestados”.
Ainda de acordo Pedro Gonçalves, o cirurgião foi responsabilizado por assumir um risco excessivo ao prolongar a cirurgia por 13 horas e 40 minutos, quando o recomendado para esse tipo de procedimento é de no máximo 8 horas. “ O médico plantonista também foi indiciado por omissão, pois não tomou as medidas necessárias para salvar a vida de Fábia, nem a transferiu para a UTI, onde ela poderia ter recebido o atendimento adequado. No hospital onde Fábia foi internada inicialmente, não havia tomógrafo, equipamento essencial para detectar a trombo embolia pulmonar. Quando ela foi transferida para o Hospital Albert Einstein, a tomografia revelou a presença do embolismo", explicou Gonçalves.
Com o inquérito já remetido ao Ministério Público, o caso aguarda a análise do MP, que decidirá se oferecerá denúncia contra os médicos. O advogado afirmou que, caso os profissionais aceitem um acordo de não persecução penal (NPP), terão que admitir a culpa pelo ocorrido.
"Se os médicos aceitarem o NPP, poderão ser responsabilizados em outras esferas, como no âmbito cível e ético. Isso poderia resultar em processos no Conselho Regional de Medicina (CRM). Caso contrário, acreditamos que o Ministério Público oferecerá a denúncia, e, se aceita pelo juiz, eles se tornarão réus em um processo criminal", afirmou Gonçalves.




