Ação emergencial não atende exigências técnicas e é indeferido pela Secretaria do Meio Ambiente de Goiás

Goianésia - A empresa responsável pelo lixão que desmoronou em Padre Bernardo, na última semana, apresentou um plano de ação emergencial para tentar conter os danos ambientais e recuperar a área afetada. A proposta foi entregue como resposta a uma solicitação do governo de Goiás, mas foi rejeitada pela Secretaria de Meio Ambiente (Semad), que afirma que o documento não cumpria os requisitos técnicos necessários para garantir a contenção eficaz do desastre.

A secretária de Meio Ambiente, Andréia Vulcanis, explicou que o plano apresentado não trazia informações fundamentais, como a estabilização da pilha de resíduos e o destino do material lançado no curso d'água. “O plano apresentado sequer foi elaborado por um profissional com responsabilidade técnica. Ele não aborda como a pilha será estabilizada para o início das obras e nem menciona onde o resíduo será depositado. Por esses e outros motivos técnicos, o plano foi indeferido. Demos mais 24 horas para que a empresa apresente uma proposta mais consistente e segura", afirmou Vulcanis.

O gabinete de crise, criado para lidar com a situação, tem monitorado a situação de perto, reunindo diversos órgãos para tomar as decisões necessárias. Apesar do indeferimento do plano de ação, a Semad segue firme em seu compromisso de evitar um agravamento do dano ambiental. "Nosso receio é que, ao autorizar obras de forma precipitada, possamos agravar ainda mais o dano já causado", completou a secretária.

Embargo e fiscalização intensificada

Apesar de decisões judiciais anteriores que haviam permitido a continuidade do funcionamento do lixão da empresa Ouro Verde, contrariando tentativas do governo estadual de interdição, a Semad determinou um novo embargo ao local na última quinta-feira, dia 19. A secretária Andréia Vulcanis afirmou que, ainda nesta semana, irá pessoalmente ao município de Padre Bernardo para acompanhar as ações de perto e garantir que as medidas de contenção sejam efetivas.

Ela tranquilizou a comunidade do bairro Ouro Verde, que fica próximo ao lixão, informando que equipes da Semad irão realizar análises da qualidade da água nos poços da região, embora, preliminarmente, a avaliação indique que os poços não devem estar contaminados. No entanto, a secretaria proibiu o uso de água dos cursos d'água Santa Bárbara e Rio do Sal, que também foram contaminados pelo deslizamento de resíduos.

Fiscalização constante desde 2019

Desde 2019, a fiscalização sobre o lixão já vinha identificando indícios de danos ambientais. O Batalhão da Polícia Militar Ambiental chegou a emitir um relatório em junho de 2023, confirmando as irregularidades na operação do empreendimento.

Com a situação agora sob controle do gabinete de crise, o governo estadual, por meio da Semad, continua a monitorar e atuar de forma integrada para minimizar os impactos ambientais e garantir a saúde e segurança da população local.