Goianésia- Garantir acessibilidade nas cidades vai muito além de uma simples adaptação estrutural — trata-se de uma questão de dignidade, respeito à cidadania e inclusão social. Rampas de acesso, calçadas niveladas, sinalização adequada, transporte público adaptado e espaços urbanos inclusivos são essenciais para garantir a mobilidade de pessoas com deficiência física, visual e auditiva, além de idosos e pessoas com mobilidade reduzida.
Em Goianésia, o desafio da acessibilidade está no foco das discussões urbanas. Segundo Hermes Gonçalves, engenheiro de trânsito que participou do planejamento viário da cidade, Goianésia ainda carrega características de uma engenharia urbana antiga, que precisa ser modernizada. “Quando começamos a planejar o trânsito de Goianésia, em 1998, a cidade tinha menos de 8 mil veículos. Era fácil estacionar em frente aos mercados e comércios. Porém, com o crescimento populacional e a frota de veículos, a realidade mudou rapidamente, e a cidade precisou se adaptar a esse novo cenário”, explica o engenheiro.
De acordo com dados do IBGE, Goianésia possui mais de 80 mil habitantes, e aproximadamente 7% dessa população apresenta algum tipo de deficiência. Além disso, a cidade tem uma frota de mais de 50 mil veículos, segundo o Detran-GO, o que contribui para a congestão do trânsito e aumenta os riscos para pedestres, especialmente aqueles com dificuldades de locomoção.
O médico Marcos Vinícius, cadeirante e morador de Goianésia, ressalta que a cidade ainda tem muito a avançar em termos de acessibilidade. “Embora algumas ruas principais, como a Rua Goiás, já tenham rampas e estejam mais acessíveis, ainda há muitas áreas que precisam de melhorias. A cidade tem uma população de cerca de 75 a 80 mil habitantes, mas logo atingirá 100 mil. E com o aumento da população idosa, a necessidade de mobilidade e acessibilidade vai se intensificar. A acessibilidade não deve ser vista apenas como algo voltado para cadeirantes; qualquer pessoa pode enfrentar limitações de mobilidade devido a fraturas ou condições temporárias”, alerta o médico.
Em todo o Brasil, a pauta da acessibilidade tem ganhado cada vez mais atenção, e Goianésia não é exceção. A cidade está debatendo e implementando uma série de projetos de mobilidade urbana e adaptações em prédios públicos com foco na acessibilidade universal. De acordo com as autoridades municipais, o objetivo é garantir que todos os cidadãos, independentemente de suas condições físicas, possam circular pela cidade com segurança, autonomia e igualdade de direitos.




