Influência das redes sociais levanta preocupação sobre a percepção dos riscos do cigarro

Goianésia-Uma pesquisa do A.C. Camargo Cancer Center, em parceria com a Nexus, acende um alerta para o consumo de produtos derivados do tabaco entre os jovens brasileiros. O levantamento, realizado com mais de duas mil pessoas em todo o país, aponta que a faixa etária de 16 a 24 anos concentra a maior proporção de fumantes: 19% dos entrevistados afirmaram consumir cigarros convencionais ou eletrônicos.

O índice supera a média nacional, de 17%, e chama atenção para a presença do tabagismo entre a população mais jovem. Para a pneumologista Daniela Campos, a mudança na forma de divulgação dos produtos, especialmente nas redes sociais, contribui para aproximar esse público do cigarro.

“A gente tinha uma forte campanha no Brasil contra o cigarro. Ainda temos, tanto que uma geração inteira não usou o cigarro, nem o cigarro eletrônico, que é o mais novo agora, nem o cigarro convencional. O problema são as mídias, as propagandas na internet, falando que é só vapor d’água, que o cigarro não causa dependência e que não faz mal.”

Depois dos jovens, o percentual de fumantes é de 15% entre pessoas de 25 a 40 anos. Na faixa de 41 a 59 anos, o índice chega a 17%, enquanto entre os brasileiros com 60 anos ou mais, a proporção é de 16%. Os dados mostram que o consumo não se concentra apenas entre as gerações mais novas.

O levantamento também chama atenção para a exposição de pessoas que não fumam. Cerca de um terço da população brasileira, equivalente a 33%, convive diariamente com fumantes em casa ou no ambiente de trabalho e, consequentemente, fica exposta à fumaça do cigarro.

Para a pneumologista, o comportamento dos jovens também está inserido em um contexto marcado pelo uso intenso da internet e pelo consumo rápido de informações.

“A gente nota o jovem afastado de muita coisa. É frequente muita internet, muita rede social, muita ansiedade. Então, o mundo virou muito imediatista. Antigamente, a gente passava uma notícia, tinha que ler um jornal, esperar. Hoje em dia, dentro da internet, eles já sabem tudo.”

O tabagismo está associado ao desenvolvimento de diversas doenças, incluindo problemas respiratórios e cardiovasculares, além de diferentes tipos de câncer. A exposição à fumaça também pode provocar prejuízos à saúde de pessoas que não fumam.

Entre as regiões brasileiras, o Sul apresenta a maior proporção de fumantes, com 22%, seguido pelo Sudeste, com 19%. No Centro-Oeste, o índice é de 13%, mesmo percentual registrado nas regiões Norte e Nordeste.