Goianésia-A possibilidade de formação do fenômeno El Niño de forte intensidade neste ano já acende um alerta entre meteorologistas em Goiás. Entre os impactos previstos estão atraso no período chuvoso, baixa umidade do ar, ondas de calor e prejuízos para a agropecuária. O gerente do Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo), André Amorim, explica que o aquecimento das águas do Oceano Pacífico tende a agravar a estiagem em toda a região Central do Brasil.
Segundo o especialista, o fenômeno costuma provocar excesso de chuvas na Região Sul e condições de tempo mais seco, além de irregularidade nas precipitações no Centro-Norte do país, afetando diretamente Goiás.
“Ele é mais prejudicial, ele é danoso. Ele traz características de estiagem, ele traz características de tempo mais estável. A gente consegue enxergar isso porque o Sul do país vai ter excesso de chuvas e, na parte Centro-Norte, excesso de estiagem ou chuvas muito irregulares. E, principalmente para o nosso amigo produtor rural, há o atraso no período chuvoso. Então, esse atraso no início do período chuvoso pode derrubar o calendário agrícola aqui em Goiás”, afirmou.
Os prognósticos climáticos indicam que o aquecimento das águas do Pacífico ocorreu de forma acelerada entre abril e maio, aumentando a possibilidade de consolidação do El Niño a partir de julho, durante o inverno. A preocupação dos especialistas é com a intensificação da seca e a ocorrência de períodos mais longos sem chuva, cenário que pode afetar diretamente o calendário agrícola e comprometer a produção agropecuária no estado.
André Amorim destaca que, apesar da passagem de frentes frias isoladas, o padrão climático segue típico do período seco, com temperaturas elevadas e baixa umidade do ar.
“Nós temos uma frente fria que está transitando, então ela provoca pequenas áreas de instabilidade, mas não reverte o período de estiagem. Teremos umidade baixa, temperaturas elevadas no período da tarde e voltamos para essa programação normal, bem característica. Nosso outono é bem seco também. A gente tem temperaturas elevadas, umidade baixa, uma situação bastante complexa. Que a população tenha um cuidado redobrado com a saúde”, alertou.
Nas áreas urbanas, os reflexos podem incluir aumento do desconforto térmico provocado pelas ilhas de calor, além de temperaturas acima dos 35 graus em cidades goianas durante os meses mais quentes do ano. Para os próximos dias, a previsão segue sendo de tempo seco e grande amplitude térmica, características típicas do outono em Goiás.




