O caso, que se estendeu por diferentes regiões do Distrito Federal, Goiás e Minas Gerais, chamou atenção pela violência e pela complexidade da execução

Goianésia - O julgamento de um dos crimes mais brutais registrados na região Centro-Oeste foi concluído neste sábado (18), com a condenação de quatro dos cinco réus envolvidos na chamada chacina do Distrito Federal. As penas somadas chegam a quase quatro séculos de prisão, refletindo a gravidade dos delitos cometidos contra uma mesma família.

O principal condenado, Gideon Batista de Menezes, recebeu pena de 397 anos, 8 meses e 4 dias de reclusão, além de 1 ano e 5 meses de detenção e pagamento de multa. Ele foi apontado como articulador do crime, que resultou na morte de dez pessoas.

Carlomam dos Santos Nogueira foi condenado a 351 anos, 1 mês e 4 dias de reclusão, além de 11 meses de detenção. Segundo o processo, ele teve participação direta nos sequestros e execuções, inclusive sendo responsável por um dos disparos fatais. O réu confessou envolvimento nos crimes.

Já Horácio Carlos Ferreira Barbosa recebeu pena de 300 anos, 6 meses e 20 dias de reclusão, além de 1 ano de detenção. Ele participou da execução das vítimas, ocultação dos corpos e destruição de provas, tendo simulado inicialmente ser vítima de um assalto.

Fabrício Silva Canhedo foi condenado a 202 anos, 6 meses e 28 dias de reclusão, além de 1 ano de detenção. A atuação dele esteve ligada principalmente à vigilância do cativeiro e apoio logístico ao grupo.

O quinto acusado, Carlos Henrique Alves da Silva, foi absolvido da acusação de homicídio, mas condenado a 2 anos de reclusão por participação na rendição de uma das vítimas.

O júri teve duração de seis dias e contou com o depoimento de 18 testemunhas. Todos os envolvidos já se encontravam presos preventivamente e responderam por crimes como homicídio qualificado, sequestro e extorsão.

As investigações apontam que o crime foi motivado por interesse financeiro. De acordo com as autoridades, os acusados pretendiam se apropriar de uma propriedade rural avaliada em cerca de R$ 2 milhões. Para garantir o controle do imóvel, o grupo teria eliminado todos os possíveis herdeiros, incluindo três crianças.

O caso teve início com o desaparecimento de Elizamar da Silva, em janeiro de 2023. Dias depois, o carro da vítima foi localizado em Cristalina, com quatro corpos no interior, o que deu início às investigações.

Com o avanço das apurações, a polícia identificou que as vítimas haviam sido levadas para um cativeiro em Planaltina, no Distrito Federal, onde permaneceram sob domínio dos criminosos. Ao longo de 18 dias, os assassinatos foram executados de forma sequencial, envolvendo vítimas de uma mesma família.

Entre os mortos estão Elizamar da Silva, o marido Thiago Gabriel Belchior, os três filhos do casal e outros parentes, incluindo os pais e a irmã de Thiago, além de integrantes da família de Marcos Antônio Lopes, proprietário da chácara que motivou o crime.

A investigação revelou ainda que os envolvidos haviam planejado a ação com antecedência, incluindo o aluguel do imóvel utilizado como cativeiro meses antes do início dos crimes.

O caso, que se estendeu por diferentes regiões do Distrito Federal, Goiás e Minas Gerais, chamou atenção pela violência e pela complexidade da execução, sendo considerado um dos episódios mais impactantes da região nos últimos anos.