Goianésia = A doação de medula óssea integra os principais recursos terapêuticos utilizados no tratamento de doenças hematológicas graves, como leucemia e aplasia de medula. Durante o Fevereiro Laranja, campanha nacional voltada à conscientização sobre o tema, profissionais da saúde reforçam a necessidade de ampliar o número de doadores voluntários no país.
Um dos fatores que contribuiu para a redução dos cadastros foi a mudança na faixa etária definida pelo Ministério da Saúde durante o período da pandemia. Até 30 de junho de 2021, pessoas entre 18 e 55 anos podiam se cadastrar como doadoras. Com a atualização da norma, o limite passou a ser de 18 a 35 anos, o que impactou diretamente o volume de novos registros.
Segundo a médica hematologista do Hemocentro de Goiás, Rafaela Farias, o transplante de medula óssea é decisivo para a recuperação de muitos pacientes. De acordo com ela, quando não há compatibilidade com familiares de primeiro grau, a alternativa é recorrer ao banco nacional de dados, o que torna a participação de doadores voluntários indispensável.
A especialista explica que o processo de cadastro é simples e rápido. O interessado deve procurar o hemocentro mais próximo para preencher os dados e realizar a coleta de uma amostra de sangue de cinco mililitros. As informações passam a integrar o Redome, Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea, utilizado na busca por compatibilidade em todo o país.
Em Goiás, o Hospital Araújo Jorge é referência na realização de transplantes de medula óssea. Rafaela Farias esclarece que, caso seja identificada compatibilidade, o potencial doador é contatado para confirmar o interesse e dar continuidade às etapas do procedimento, sempre com acompanhamento médico.
A forma mais frequente de doação ocorre por meio da coleta de células do sangue periférico. Nesse método, o doador pode apresentar efeitos leves e temporários durante o uso da medicação, com retorno rápido às atividades habituais. Em casos específicos, a coleta é feita diretamente da medula óssea, procedimento que pode causar dor localizada, mas apresenta baixo risco e é previamente explicado ao voluntário.
Desde 2015, o número de doadores cadastrados no Redome vem apresentando redução, o que reforça a necessidade de campanhas de conscientização e mobilização social. O Fevereiro Laranja propõe ampliar o debate sobre o tema e incentivar a adesão de novos doadores, ampliando as chances de tratamento e sobrevida de pacientes que dependem do transplante de medula óssea.




