Goianésia - Mesmo proibidos no Brasil, os cigarros eletrônicos continuam circulando com facilidade, especialmente em festas, eventos e por meio do mercado clandestino. O consumo desses dispositivos, muitas vezes associado à ideia equivocada de que apresentariam menor risco à saúde, tem preocupado profissionais da área médica, sobretudo pelos possíveis impactos na saúde reprodutiva de jovens e adultos.
A pneumologista Ângela Damasceno avalia que o uso do cigarro eletrônico passou a ser socialmente aceito entre o público jovem. “Nas décadas de 60 e 70, o cigarro tradicional era utilizado como forma de integração social entre os jovens. Com o tempo, o cigarro convencional perdeu espaço por causa do cheiro e do gosto desagradáveis. O dispositivo eletrônico surge agora trazendo essa falsa sensação de que não faz mal”, afirmou.
Estudos internacionais indicam que o uso frequente do cigarro eletrônico pode provocar redução na qualidade dos espermatozoides e estar associado a alterações no ciclo reprodutivo feminino. No Brasil, levantamentos apontam crescimento do consumo desses dispositivos, principalmente entre jovens, mesmo diante da proibição vigente.
Segundo a especialista, a disseminação de propagandas atrativas e de informações imprecisas dificulta o enfrentamento do problema. “Os cigarros eletrônicos foram criados com a falsa promessa de ajudar a pessoa a parar de fumar. Isso foi apenas uma estratégia de marketing da indústria. Eles contêm nicotina, substâncias cancerígenas e outros componentes presentes no cigarro tradicional, além de novos elementos. Os sabores mentolados e adocicados servem apenas para mascarar os efeitos nocivos”, explicou.
Especialistas reforçam que o combate ao uso do cigarro eletrônico passa por ações contínuas de informação e conscientização, com foco na orientação da população jovem sobre os riscos reais associados a esses dispositivos e na desconstrução da ideia de que seriam uma alternativa segura ao cigarro convencional.




