Pressões emocionais e ausência de acolhimento ampliam fatores de risco

Goianésia- Um levantamento divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz acende um alerta para o avanço de indicadores relacionados ao suicídio e às autolesões entre crianças e jovens no Brasil. A análise revela uma tendência de crescimento contínuo ao longo da última década e reforça a necessidade de ampliar políticas e ações voltadas à saúde mental do público infantojuvenil.

O estudo, que avaliou dados entre 2011 e 2022, aponta que a taxa de suicídio entre jovens cresceu, em média, 6% ao ano no país. No mesmo intervalo, as notificações de autolesões na faixa etária de 10 a 24 anos apresentaram um avanço ainda mais acentuado, com crescimento aproximado de 29% ao ano, indicando agravamento do cenário.

A psicóloga Danielle Rodrigues avalia que os números exigem respostas imediatas. Segundo ela, o aumento dos casos está relacionado a fatores culturais e sociais que dificultam o acolhimento emocional, especialmente entre adolescentes do sexo masculino. “Os dados mostram que os índices são mais elevados entre meninos. Vivemos uma cultura em transição, na qual muitos jovens não encontram espaço para expressar emoções ou falar sobre sofrimento psíquico. Existe uma cobrança precoce para que sejam fortes, controlados e maduros, enquanto a educação emocional recebe pouca atenção”, analisa.

A especialista ressalta que o acompanhamento psicológico contínuo nessa fase da vida é decisivo e chama atenção para outros elementos de risco. “Somam-se às cobranças sociais as questões ligadas à identidade e à sexualidade, que podem gerar conflitos intensos durante o desenvolvimento emocional. Há, também, a exposição constante às redes sociais e a jogos on-line, ambientes nos quais adolescentes podem ser abordados por pessoas mal-intencionadas ou estimulados a participar de desafios perigosos, colocando a própria vida em risco”, alerta.

Diante do quadro, pesquisadores e profissionais da área defendem o fortalecimento das políticas públicas de saúde mental, a ampliação do acesso a serviços psicológicos e a criação de redes de apoio efetivas. O envolvimento conjunto de famílias, escolas e poder público é apontado como essencial para prevenir novos casos e promover o cuidado integral com a saúde emocional de crianças e adolescentes.

Onde buscar ajuda: pessoas em sofrimento emocional podem procurar atendimento psicológico na rede pública de saúde ou entrar em contato com o Centro de Valorização da Vida (CVV) pelo telefone 188, com atendimento gratuito e 24 horas.