Prática pode trazer benefícios metabólicos, desde que adotada com planejamento e acompanhamento especializado

Goianésia - Cada vez mais discutido no contexto da saúde e da qualidade de vida, o jejum intermitente é uma prática que acompanha a história da humanidade desde os seus primeiros períodos. Antes da industrialização dos alimentos e da facilidade de acesso às refeições, longos intervalos sem comer faziam parte da rotina humana, levando o organismo a desenvolver mecanismos naturais de adaptação. Atualmente, esse padrão voltou ao centro do debate por seus possíveis efeitos sobre o metabolismo, mas especialistas alertam que os benefícios só aparecem quando a prática é adotada com responsabilidade e orientação profissional.

Jejum não é solução imediata

A nutricionista Alana Bezerra explica que o jejum intermitente não deve ser encarado como uma solução rápida ou milagrosa para o emagrecimento ou para problemas de saúde. Segundo ela, o principal cuidado não está apenas no tempo sem se alimentar, mas no que vem depois.

“É preciso entender que o jejum não resolve tudo sozinho. Não basta ficar 18 horas sem comer e achar que todos os problemas estéticos ou de saúde serão solucionados. O pós-jejum é fundamental. É nesse momento que a pessoa precisa priorizar refeições leves e saudáveis, evitando fast food e alimentos pesados. Além disso, o acompanhamento profissional é essencial para definir protocolos adequados e evitar efeitos como tontura ou queda de pressão”, orienta.

Benefícios vão além do emagrecimento

Embora seja amplamente associado à perda de peso, o jejum intermitente apresenta impactos que vão além da estética corporal. De acordo com a especialista, a prática pode auxiliar no controle da insulina, na regulação da glicose no sangue, na melhora dos níveis de colesterol e no equilíbrio do metabolismo como um todo.

“Existem benefícios comprovados, como a redução de gordura corporal e a melhora de marcadores metabólicos. No entanto, isso depende diretamente do protocolo adotado e do preparo da pessoa”, destaca Alana Bezerra.

Protocolos variam e exigem adaptação

A nutricionista explica que existem diferentes formatos de jejum intermitente, que podem variar de 12 a 18 horas, chegando a 24 ou até 48 horas. No entanto, os períodos mais prolongados exigem adaptação gradual e acompanhamento especializado.

“Jejuns mais longos só devem ser feitos por quem já está acostumado e preparado. Sem orientação adequada, o risco de mal-estar aumenta consideravelmente”, alerta.

Mesmo com resultados positivos apontados por estudos e pela experiência clínica, o jejum intermitente não é indicado para todas as pessoas e não deve ser adotado de forma indiscriminada. A avaliação individual, a adaptação progressiva e a escolha adequada dos alimentos durante o período de refeições são determinantes para que a prática seja segura e realmente benéfica à saúde.