Goianésia - O uso da internet entre crianças e adolescentes no Brasil atingiu níveis elevados e tem despertado a atenção de especialistas da área da saúde. Atualmente, mais de 90% da população entre 9 e 17 anos está conectada à rede. De acordo com a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2024, realizada entre março e agosto de 2025, cerca de 93% desse público acessou a internet, o que representa aproximadamente 24,5 milhões de jovens conectados em todo o país.
Diante desse cenário, a neuropsicóloga Juliana Rem alerta para os impactos do uso excessivo das telas no desenvolvimento infantil e juvenil. Segundo ela, o cérebro humano responde intensamente aos estímulos digitais, o que pode gerar desequilíbrios quando não há controle.
“O nosso cérebro é naturalmente atraído por novidades e recompensas. Quando estamos diante de estímulos constantes, como luzes, sons e imagens rápidas, ele entra em um estado de excitação contínua. Isso pode afetar o equilíbrio emocional e o desenvolvimento cognitivo”, explica.
O levantamento também mostra que o índice de jovens conectados permanece estável nos últimos anos, sempre acima de 90%, o que reforça o papel central da internet na rotina escolar, no entretenimento e na comunicação. No entanto, Juliana chama atenção para os prejuízos causados pelo consumo excessivo de conteúdos rápidos e fragmentados.
“A dificuldade de engajamento em conteúdos mais profundos é um dos principais impactos. Os vídeos curtos, que mudam rapidamente, prejudicam a atenção, a concentração e o desenvolvimento de habilidades cognitivas mais complexas”, destaca.
Apesar dos benefícios do acesso à tecnologia, como apoio ao aprendizado e à socialização, especialistas reforçam que o uso precisa ser acompanhado de perto por pais e responsáveis. A supervisão adequada ajuda a reduzir riscos como exposição a conteúdos impróprios, cyberbullying e dependência digital, além de contribuir para uma relação mais saudável entre crianças, adolescentes e o ambiente virtual.




