Goianésia- A esquizofrenia é um transtorno mental que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, mas ainda é cercada por desinformação e preconceito. Especialistas alertam que o estigma social associado à doença é um dos principais fatores que dificultam o diagnóstico precoce e a continuidade do tratamento, comprometendo diretamente a qualidade de vida dos pacientes.
A condição costuma se manifestar por meio de surtos psicóticos e exige acompanhamento médico contínuo. O psiquiatra Mário Celestino explica os principais desafios enfrentados por quem convive com o transtorno.
“Um dos fatores é que muitos pacientes não se reconhecem como doentes, mesmo após um episódio agudo, como o surto psicótico. Se a pessoa não se percebe como doente, não vê sentido em tomar a medicação. Além disso, os efeitos colaterais podem interferir na rotina e levar à interrupção do tratamento. Há ainda um terceiro fator, de ordem social, que envolve o preconceito em torno das medicações e da própria doença, já que tomar o remédio significa, para muitos, admitir que têm esquizofrenia”, explica o especialista.
O preconceito faz com que muitas pessoas deixem de procurar ajuda médica por medo de discriminação, julgamentos ou exclusão social. No entanto, profissionais da área da saúde mental reforçam que a esquizofrenia pode ser controlada com acompanhamento especializado, uso adequado de medicamentos e apoio psicossocial, permitindo que o paciente mantenha uma rotina ativa e funcional.
Segundo Mário Celestino, os planos de saúde também podem contribuir para facilitar o acesso ao tratamento, especialmente por meio de alternativas que favorecem a adesão. “Existem os chamados antipsicóticos de longa duração, que são medicações aplicadas por injeção intramuscular, geralmente no glúteo ou no deltóide, no ombro. Com isso, o medicamento permanece ativo por cerca de um mês. Essa opção traz mais tranquilidade para médicos e familiares, já que o paciente recebe a medicação regularmente, com aplicações mensais”, afirma.
Especialistas reforçam que informação, empatia e políticas de saúde acessíveis são fundamentais para combater o preconceito e garantir que pessoas com esquizofrenia consigam manter o tratamento de forma contínua, com mais autonomia e qualidade de vida.




