Goianésia - O quadro Minutos da Aposentadoria desta semana chama a atenção para a importância do planejamento previdenciário, especialmente no mês de dezembro. De acordo com a especialista em Direito Previdenciário, Driene Gonzaga, este é um período estratégico para revisar as contribuições ao INSS e evitar problemas futuros no momento de solicitar a aposentadoria.
Muitas pessoas deixam para pensar na aposentadoria apenas quando já estão cansadas, doentes ou desempregadas. No entanto, o planejamento antecipado pode evitar prejuízos e garantir mais tranquilidade no futuro.
“Quem se antecipa sofre menos lá na frente. Dezembro é o mês ideal para revisar a vida contributiva, porque o ano está se encerrando e qualquer erro não corrigido agora pode virar um grande problema depois”, explica.
Um dos primeiros pontos de atenção é a conferência do Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), documento que reúne todo o histórico de vínculos empregatícios e contribuições feitas ao INSS. É por meio dele que o instituto analisa o direito à aposentadoria.
“A gente sempre orienta que a pessoa verifique se todos os vínculos estão registrados corretamente. Às vezes, o trabalhador teve carteira assinada, mas o emprego não aparece no CNIS. Se isso não for corrigido, o INSS pode simplesmente desconsiderar aquele período”, alerta Driene.
Ela explica que erros comuns envolvem datas de início ou encerramento do contrato, salários informados de forma incorreta ou até vínculos totalmente ausentes. Nesses casos, a recomendação é reunir documentos como carteira de trabalho, holerites, contratos e recibos para solicitar a correção enquanto ainda é possível resolver administrativamente.
Outro ponto de atenção são os valores de remuneração. “Muitas vezes, o salário que aparece no sistema é menor do que o que a pessoa realmente recebia. Isso é comum em empresas pequenas ou em contribuições feitas como autônomo. Se o valor estiver errado, a aposentadoria também será menor”, ressalta.
A especialista também chama atenção para os chamados períodos especiais, como atividades exercidas com exposição a ruído, produtos químicos, poeira, calor, frio excessivo ou eletricidade, além do trabalho rural. Dependendo do caso e do período trabalhado, esses tempos podem ter regras diferenciadas de contagem.
“Se a pessoa não revisa isso agora, pode acabar perdendo tempo de contribuição e dinheiro lá na frente. É algo que precisa ser analisado com cuidado, porque pode fazer muita diferença no valor do benefício”, explica.
Segundo a especialista Driene Gonzaga, um dos erros mais comuns é deixar tudo para a última hora e confiar que o INSS já tem todas as informações corretas. “Depois que o benefício é concedido, corrigir erros dá muito mais trabalho. Por isso, dezembro não é só mês de festa, é mês de organização e de cuidado com o futuro”, enfatiza a advogada.
Ela reforça que planejamento previdenciário não é privilégio de quem tem muito dinheiro, mas sim um direito de quem trabalhou a vida toda. “É uma forma de garantir respeito pelo próprio tempo de trabalho. Quem não entende muito pode buscar ajuda no sindicato, com um contador, advogado ou até mesmo diretamente no INSS. O importante é não deixar para depois”, pontua.




