Goianésia- Psicólogos e pesquisadores alertam que a combinação de maior convivência familiar, consumo de álcool, tensões acumuladas ao longo do ano e expectativas sociais ligadas ao Natal e ao Ano-Novo cria um ambiente mais propício para conflitos. Estudos internacionais mostram que os casos de agressão tendem a atingir picos justamente em dezembro, especialmente nas vésperas e nos dias de Natal e Ano-Novo.
A psicóloga Luanna Debs explica que isso ocorre porque a rotina muda e as relações familiares ficam sob maior pressão emocional. “Dentro de relacionamentos abusivos, a primeira estratégia dos agressores é o isolamento, para que a vítima fique sem rede de apoio. Durante as festas, os vínculos afetivos são mais intensos, e a mulher tem mais oportunidades de se encontrar com outras pessoas. O álcool diminui a percepção de limites e o autocontrole, o que pode tornar homens propensos à violência mais agressivos, inclusive com risco de violência física e destruição de objetos”, afirma.
No Brasil, levantamentos indicam crescimento contínuo nas notificações de violência contra a mulher na última década. A psicóloga destaca que as festas de fim de ano intensificam gatilhos emocionais e situações de controle por parte dos agressores, tornando o período ainda mais vulnerável para muitas mulheres. “Existem diversas estratégias de violência que não envolvem contato físico, como manipulação, ameaças e controle financeiro, que dificultam a saída de casa. Isso provoca isolamento social, resistência a buscar apoio e fragiliza os vínculos afetivos”, explica Luanna.
A especialista reforça que, embora muitas vítimas só busquem ajuda após os feriados, o pico de agressões geralmente ocorre “a portas fechadas”, longe de amigos e familiares. Essa dinâmica contribui para a subnotificação e dificulta o diagnóstico imediato do problema. Ela também apresenta orientações de proteção: “Se o companheiro consome álcool, a vítima pode se manter afastada, não dormir sozinha em casa ou ficar na casa de um familiar. É importante estar sempre em alerta e ter o telefone de alguém que possa ajudar. Essas medidas são formas de proteção e podem evitar que a violência escale.”
A recomendação é que familiares, vizinhos e amigos fiquem atentos a sinais de agressão física, emocional ou comportamental. As denúncias podem ser feitas de forma anônima, por meio dos canais oficiais e aplicativos de segurança disponíveis em cada estado. Para as mulheres que vivenciam situações de violência, buscar apoio psicológico e redes de acolhimento é fundamental para romper o ciclo.




