Pesquisadores desenvolvem materiais capazes de remover até 60% do glifosato

Goianésia- Novas tecnologias para remover resíduos de herbicidas da água têm avançado em centros de pesquisa brasileiros, ampliando as perspectivas para melhorar a qualidade hídrica em áreas urbanas e rurais. A presença dessas substâncias em rios, lagos e reservatórios preocupa especialistas pela possibilidade de afetar ecossistemas e colocar em risco a saúde de comunidades que dependem dessas fontes.

Entre as soluções em estudo, pesquisadores têm apostado em materiais de baixo custo e fácil obtenção, como o bagaço da cana-de-açúcar. A agrônoma Maria Vitória explica que o resíduo vegetal passou por modificações químicas para potencializar sua capacidade de atrair e reter moléculas de glifosato, um dos herbicidas mais utilizados no país.

“A gente pegou o bagaço da cana e modificou ele quimicamente até conseguir deixar as cargas compatíveis. Trabalhamos para que as fibras da celulose ficassem com carga positiva e, quando entram em contato com o glifosato, que tem carga negativa, ocorre a interação. Assim, conseguimos remover esse conteúdo de uma vez”, explica.

Universidades e centros de tecnologia têm testado diferentes alternativas, como adsorventes naturais, processos de oxidação avançada e o uso de nanomateriais. Esses métodos já apresentam resultados consistentes na redução da presença de herbicidas em amostras de água avaliadas em laboratório.

A pesquisadora destaca que o processo com bagaço também se mostra prático na aplicação. “É uma metodologia simples: colocamos o material na água e as cargas interagem com o glifosato. Depois, basta remover o material para reduzir a contaminação. Não é uma limpeza completa, porque há outros compostos presentes, mas conseguimos retirar cerca de 60%, segundo os estudos realizados”, afirma.

Especialistas avaliam que o desenvolvimento desses métodos é estratégico para fortalecer a proteção ambiental, reduzir impactos da agricultura e ampliar o acesso a água de melhor qualidade, especialmente em regiões que dependem de mananciais vulneráveis à contaminação por agrotóxicos.