Especialistas alertam para importância de prevenção, testagem e tratamento

Goianésia - Apesar do avanço no controle da transmissão vertical, com redução de casos em recém-nascidos pela primeira vez em três anos, o novo boletim do Ministério da Saúde revela um aumento consistente da sífilis adquirida entre pessoas com mais de 40 anos. Historicamente, esse grupo apresentava taxas menores, mas vem registrando crescimento contínuo desde 2021.

O médico ginecologista e obstetra Leonardo Gebrim explica: “A sífilis é uma doença sexualmente transmissível que tem aumentado sua incidência principalmente pela falta de cuidado das pessoas. Relações sexuais desprotegidas têm contribuído para o aumento dos casos.”


A doença possui três fases. A primeira é marcada pelo chamado cancro duro, uma lesão única que surge na região genital e geralmente não dói, desaparecendo em três a quatro semanas. A segunda fase afeta principalmente a pele, com surgimento de lesões que também desaparecem com o tempo. A terceira fase, mais grave, pode comprometer órgãos como coração e cérebro.

Entre 2021 e 2025, a taxa de detecção de sífilis em pessoas de 40 a 49 anos passou de 76,8 para 98,8 casos por 100 mil habitantes, enquanto entre quem tem 50 anos ou mais, subiu de 50,6 para 67,6 casos por 100 mil. Especialistas apontam que a ampliação da vida sexual ativa e a baixa percepção de risco nessa população contribuem para o avanço da doença.

Sobre diagnóstico e tratamento, Gebrim destaca: “O tratamento depende da fase em que o paciente está e é feito com penicilina benzatina. O diagnóstico é simples, feito pelo exame VDRL ou por testes rápidos em laboratórios e postos de saúde, e confirmado com o teste treponêmico.” Ele reforça que a detecção precoce é fundamental, principalmente para gestantes, já que a doença pode ter consequências graves para mães e bebês.