Redução de 10% em algumas taxas não beneficia setores-chave como carne bovina e café

 

Goianésia - O recuo anunciado pelos Estados Unidos nas tarifas sobre produtos brasileiros não deve gerar grandes impactos para o setor produtivo de Goiás. Segundo a economista e professora da Universidade Estadual de Goiás (UEG), Adriana Pereira de Sousa, muitos segmentos continuam exportando com a taxa de 40%, imposta em agosto deste ano.

O ajuste anunciado pelo governo norte-americano diz respeito aos 10% aplicados em abril, quando foram definidas tarifas de reciprocidade. “Não, a carne continua com a mesma tarifa imposta, ela não foi zerada, diminuiu apenas os 10%. Já o café teve uma redução de 10%, mas permanece com tarifa de 40%, enquanto nosso principal concorrente, a Colômbia, está com a taxa zerada. Para nós, isso significa que ainda estamos vendendo produtos mais caros para aquele mercado”, explica a economista.

Alguns produtos receberam benefícios mais expressivos. O suco de laranja, por exemplo, teve as taxas zeradas com a medida anunciada. Já a carne bovina, um item relevante na pauta de exportações goiana, permanece taxada.

Adriana Pereira de Sousa observa que a redução das tarifas foi mais influenciada por fatores internos da economia norte-americana do que por negociações diretas com o Brasil. “Produtores que buscaram outros mercados, como China e países europeus, conseguiram ampliar sua atuação e reduzir a dependência dos Estados Unidos. Ainda assim, houve redução das exportações para o mercado americano, o que trouxe transtornos para o setor exportador”, afirma.

Apesar dos efeitos limitados, o governo federal e setores da indústria comemoraram o avanço no diálogo entre os dois países nas últimas semanas. Durante as conversas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizou que não vê necessidade de novos cortes nas tarifas impostas ao Brasil.