Goianésia - A megaoperação realizada no Rio de Janeiro, que resultou em 121 mortes, incluindo quatro policiais, reacendeu o debate sobre o poder das facções criminosas e a dificuldade do Estado em retomar o controle de áreas dominadas pelo tráfico. O delegado Marco Antônio Maia, titular da Delegacia de Barro Alto, analisou o impacto da ação e destacou como o problema ultrapassa as fronteiras do estado fluminense.
Segundo o delegado, a inteligência da Polícia Civil de Goiás estima que cerca de 60 foragidos goianos estejam escondidos nos morros do Rio de Janeiro, entre eles dois criminosos naturais de Goianésia, apontados como responsáveis por homicídios e tráfico de drogas. “A polícia sabe onde eles estão, mas as barricadas e o domínio das facções tornam as operações extremamente difíceis”, afirmou Maia.
O delegado explicou que aproximadamente metade da população do Rio de Janeiro vive em regiões sob domínio de facções, onde o poder público tem atuação limitada. “Essas áreas têm barricadas que impedem a entrada do SAMU, do Corpo de Bombeiros, de empresas de energia e até de oficiais de justiça. A realidade é muito diferente do restante do país”, destacou.
Para Maia, as restrições impostas pela decisão do Supremo Tribunal Federal (ADPF 635), que limitou operações policiais em comunidades cariocas desde 2019, contribuíram para o fortalecimento das organizações criminosas. “Durante esses anos, as facções se fortaleceram, ampliaram o controle territorial e tornaram o acesso ainda mais difícil”, pontuou.
A operação, que mobilizou 2.500 policiais e teve como objetivo cumprir 180 mandados de prisão, contou com o apoio de unidades especializadas como o BOPE e o CORE, em uma ação planejada para conter a fuga de criminosos e enfraquecer o comando das facções.
Encerrando sua análise, Marco Antônio Maia fez um alerta sobre a necessidade de integração entre as forças de segurança e investimento em inteligência policial. “O crime evolui, se adapta e usa a tecnologia a seu favor. Por isso, é fundamental que a população esteja atenta e que as forças de segurança trabalhem de forma coordenada. A informação ainda é a melhor forma de prevenção”, concluiu o delegado.




