Goianésia- Um estudo do Instituto Trata Brasil e da consultoria Ex Ante alerta que regiões do Centro-Oeste podem enfrentar racionamentos de água de até 30 dias por ano, enquanto a média nacional é de 12 dias de interrupção no abastecimento. A demanda por água tratada deve crescer mais de 59% nas próximas duas décadas, impulsionada pelo aumento das temperaturas, pela expansão urbana e pelo crescimento econômico.
O aquecimento global, aliado às perdas na rede de distribuição, que chegam a 40%, torna a gestão hídrica um dos maiores desafios do país. Em Goiás, no entanto, o risco é menor graças ao planejamento hídrico, à preservação de áreas de proteção ambiental e ao monitoramento de nascentes, segundo a engenheira ambiental Maristela Rodrigues.
“Essa interrupção é planejada para que pequenos grupos não fiquem sem água por muito tempo, enquanto grandes grupos recebem abastecimento contínuo, garantindo uma distribuição mais equilibrada e humanitária do saneamento”, explica Maristela.
A engenheira reforça que os produtores rurais têm papel decisivo na conservação da água. No dia a dia, é possível reduzir desperdícios, recuperar nascentes, proteger áreas de preservação e adotar práticas agrícolas sustentáveis que garantem o equilíbrio dos recursos naturais.
“Em alguns pontos de elevatório, o bombeamento não é possível imediatamente. O processo de tratamento da água exige tempo para garantir sua potabilização. Esse tempo pode aumentar em períodos de chuvas intensas, devido à necessidade de adaptação do sistema”, detalha Maristela Rodrigues.
O tema da gestão hídrica será debatido na COP30 da ONU, onde a engenheira representará Goiás, destacando a importância da preservação das nascentes do Cerrado. Ela reforçará que atitudes responsáveis no campo são essenciais para garantir água tanto para a população quanto para a produção agrícola.




