Goianésia - No transtorno de linguagem, a criança apresenta inteligência preservada, mas pode ter déficits nos domínios linguísticos, que dificultam a compreensão e a expressão da fala. As dificuldades podem afetar dois ou mais aspectos da comunicação, como sistema de sons, vocabulário, gramática, sintaxe e habilidades pragmáticas.
Segundo a fonoaudióloga e musicoterapeuta Eliane Faleiro, o desenvolvimento da fala apresenta boas perspectivas quando há estimulação diária pelos pais. “Para a criança se apropriar de uma palavra, como ‘maçã’, ela precisa entender o significado do objeto. Ao ouvir constantemente o nome associado ao objeto, começa a reproduzir o som e o movimento, um processo que envolve não apenas os lábios e a língua, mas o corpo todo”, explicou.
A especialista detalha como ocorre o estímulo da linguagem em crianças com transtorno: “Eu trabalho com o interesse da criança. Por exemplo, se a intenção é ensinar cores e ela escolhe uma caixa de carrinhos, construo o aprendizado na manipulação do brinquedo e no discurso. Digo: ‘Você pegou o carrinho amarelo e está levando pela estrada’. É nesse diálogo que a criança começa a construir o vocabulário e, aos poucos, consegue emitir sons específicos.”
Eliane Faleiro ressalta que o diagnóstico dos transtornos de fala é complexo e exige cautela. “Muitas vezes, crianças chegam com diagnósticos imprecisos. Um diagnóstico inadequado pode comprometer a trajetória da criança e gerar sofrimento para ela e para a família. É fundamental analisar cada caso com responsabilidade”, alertou.
Além de crianças, adolescentes e adultos também podem apresentar déficits de linguagem sutis, que se manifestam em dificuldades de interpretação de textos, desempenho acadêmico ou frustração no trabalho. Nestes casos, a adaptação e estratégias de compensação podem mascarar o problema, tornando o acompanhamento especializado essencial para o desenvolvimento da comunicação.




